quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

As férias e poder da exceção

Você já reparou como às vezes a expectativa por algo que vai acontecer faz parte da felicidade que esse acontecimento gera em nós? Isso é muito comum quando vamos viajar e nos planejamos antes do dia da partida. Tem gente que nem dorme direito na noite que antecede a data tão esperada... Pois é, eu percebo que com as férias, os fins de semana e até mesmo as viagens a passeio, a exceção exerce um grande poder sobre nós. Digo isso porque tudo o que fazemos fora da nossa rotina – quando se trata de lazer ou alguma surpresa agradável, é claro – tem o poder de fazer a nossa percepção da passagem do tempo mudar. Sempre achamos que o fim de semana passa voando, por exemplo, e que as férias nunca são suficientes pra gente descansar e curtir à vontade, até a volta ao trabalho. Mas eu tenho a convicção de que parte do prazer sentido ao curtir esses raros momentos de descanso e diversão vem justamente do fato de eles serem raros. Independente de tirar férias de 10, 20 ou 30 dias, de ir conhecer um lugar que você sempre sonhou e passar um fim de semana ou as férias inteiras lá, a quebra na rotina parece que alerta o nosso cérebro e nossa percepção e humor se modificam, pois queremos absorver tudo o que está ao redor, viver esses momentos plena e intensamente.
Basicamente, quero dizer que o que faz a fuga da rotina ser tão legal e proveitosa é o fato de a rotina existir, com todas as suas características, a repetição dos horários, dos protocolos e dos rituais que adotamos todos os dias. Quando isso muda, nosso cérebro vira uma chave que aumenta nossa sensibilidade. Não quero com isso dizer que eu não gostaria de ter um ano com mais tempo de férias e fazer viagens mais longas, pelo contrário, temos que curtir ao máximo nossas “fugidas”, porque com a vida doida que a gente tem seria (ou já é?) enlouquecedor viver sem escapar de vez em sempre. Mas acho que essa reflexão é válida pra várias áreas da vida. Por exemplo, quem se alimenta mal e opta por adotar uma alimentação mais saudável: um churrasco no fim de semana ou um doce no chamado “dia do lixo” passa a ter um sabor especial, ou até passa a não ser tão indispensável, porque a expectativa e a vontade se tornam administráveis. Economizar e juntar dinheiro são outra situação semelhante: hoje abro mão de alguns prazeres como comprar uma roupa ou ir a um restaurante caro, porque esse dinheiro que deixo de gastar agora e em outros momentos, quando acumulado me trará uma recompensa que valerá mais, seja a compra de um carro novo, uma viagem, pagar por um curso que gostaria de fazer. Mas esse raciocínio também me leva a uma outra conclusão: podemos, no nosso dia a dia, criar pequenos escapes da rotina, que nos tragam mais leveza, tranquilidade, que recarreguem nossas baterias pra passar por uma fase conturbada no trabalho ou pra dar conta de atividades múltiplas em um curto período. São “minúsculas férias” das responsabilidades, das preocupações, dos compromissos, que podemos nos permitir mesmo sem ser durante o fim de semana ou as férias propriamente ditas. Se, ao contrário do que gostaríamos, não podemos nos dar ao luxo de descansar mais tempo na semana, de viajar mais ou ter mais oportunidade para as atividades que nos dão prazer, é possível ter, no dia a dia, momentos de desestressar, formas de tornar mais leve o peso da responsabilidade, a tensão e a ansiedade que a vida moderna nos impõe.
Você pode criar pequenas exceções na sua rotina, de forma a torná-la mais palatável, mais “fácil de levar”. Afinal, se a gente analisar bem passamos cerca de um terço da vida dormindo e outro terço trabalhando e cumprindo outras obrigações. Vale a pena se permitir as grandes férias e os pequenos momentos de descontração também. Pra isso é importantíssimo saber organizar nossas atividades e gerir o nosso tempo. Mas isso já é assunto pra um outro post. Por enquanto fico por aqui e te convido a pensar no poder que a exceção exerce na sua vida e na sua rotina.

Beijos e até mais!
Vanessa

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