Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Inspiração: Inspirar-se em pessoas com quem convivemos

    Oie! Você conhece pessoas inspiradoras?

    Quando falamos de pessoas inspiradoras logo pensamos em grandes artistas, filósofos, pensadores e gente "grande", digamos assim. Ou seja, parece que de certa forma dizemos a nós mesmos que os pobres mortais como nós não oferecem inspiração alguma, pois ela só aparece em pessoas famosas, exóticas e muito distantes da nossa realidade. Mas você já reparou em atitudes inspiradoras das pessoas com quem você convive? Isso mesmo, aquele seu colega de trabalho xarope que vive pegando no seu pé mas que de repente solta uma frase que te faz parar pra pensar em algo que vai além do "arroz com feijão" do dia a dia. Ou de repente alguém de quem você não esperava nada, que demonstra se importar com você e com a sua opinião.

    Nós não somos perfeitos (aaah, vá!) e os pensadores que inspiram tanta gente por aí também não. A diferença é que o que conhecemos desses caras é apenas sua faceta inspiradora, não vemos o todo, as pequenices do dia a dia ou o tédio que eles também têm. Já quem convive com a gente mostra um pouco mais, não apenas inspirações, mas as inspirações estão ali também, basta olhar com mais atenção.

    Vou contar pra vocês de uma professora de Matemática com quem trabalhei por alguns anos. Ela já estava prestes a se aposentar (inclusive o marido dela foi meu professor na faculdade, olha que mundo pequeno...) mas não aceitava oferecer menos do que o melhor aos alunos. Às vezes os alunos (e até os outros professores) implicavam com ela, por ser tão certinha. Eu às vezes também acho que ela exagerava um pouco, mas poxa vida, ela me inspirava demais! Um dia a gente estava assistindo a alguma apresentação dos alunos, não me lembro exatamente o que era mas lembro que estávamos ali emocionados e orgulhosos deles, e ela me disse assim: "Dá vontade de fazer tudo por eles né?". Gente, segurei pra não chorar, achei aquilo tão lindo que nunca mais esqueci! Enquanto eu estava lá toda orgulhosa pensando "São MEUS alunos!", ela só pensava neles, em fazer mais por eles, uma professora em fim de carreira! Professor em fim de carreira nem quer ver aluno na frente! Por isso admiro tanto essa amiga professora, e nunca vou esquecer dessa frase dela.

    Espero que isso te inspire também, e mais, te faça reparar nas situações corriqueiras do dia a dia, com pessoas comuns, gente como a gente, pra encontrar inspiração em meio às dificuldades e à correria dessa vida doida.

    Ótima semana, beijo grande!
    Vanessa

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Inspiração: Música "Palavras e Silêncios" (Fagner e Zeca Baleiro)

    Oi! Bora começar a semana com uma música delícia?!

    Quando escrevi o post sobre Minimalismo nas palavras, lembrei dessa música que eu adoro e que você também deve conhecer. Com uma letra muito poética e cantada nessas vozes maravilhosas, nem tem muito o que dizer né? Segue o link do clip e da letra:
https://www.vagalume.com.br/fagner-e-zeca-baleiro/palavras-e-silencios.html

Palavras e Silêncios
(Zeca Baleiro e Fausto Nilo)

Não se move uma montanha 
Por um pálido pedido 
De alguém que não se ama 
Todo ouro está contigo 
Para isso há muita chama 
No coração do bandido

Mais uma vez o dia chega 
Em minha vida 
Como uma chama na selva 
O sol na cama da relva 
A tua boca e a lua 
A minha boca e a tua 
Vão deixando pela rua 
Palavras e silêncios 
Que jamais se encontrarão

    Ótima semana!

    Vanessa

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Projeto Minimalismo #9: Minimalismo nas palavras

    Oi! Tudo bem?

    Uma das coisas que eu mais observo, desde sempre, é o quanto as pessoas falam. Durante muito tempo eu fui muito "quietinha" e isso sempre me incomodou, porque eu sempre achei super legal estar cercada de amigos, rindo, conversando, dando opiniões, sendo ouvida. Hoje eu percebo que cresci preocupada em ter algo para dizer nas diversas situações: no ambiente de trabalho, entre amigos em momentos descontraídos, mas sempre me senti muito mais à vontade conversando em família ou em grupos pequenos, de até três ou quatro pessoas. Por muito tempo me preocupei em dizer o que os outros gostariam de ouvir e atender às suas expectativas. Nem preciso dizer o quanto isso se torna desastroso...

    Não tem fórmula pra se fazer amigos. Eu acho que é um tipo de química, não como acontece quando há atração física, mas não tem padrão, palavras certas ou sempre concordar. Às vezes a gente descobre amigos em pessoas que se comportam de forma totalmente diferente da nossa e até dizem coisas que a gente normalmente desaprovaria. Isso é até óbvio, mas pra mim foi uma grande (re)descoberta perceber que agir com naturalidade poderia trazer amigos muito mais verdadeiros por um lado, além do respeito daqueles que discordem de mim, por reconhecerem a autenticidade do meu comportamento.

    Hoje eu estou parando de brigar com esse meu lado mais introvertido. Às vezes alguns amigos até estranham e muita gente com quem eu convivo tenho certeza de que faz uma imagem de mim que não corresponde muito bem à pessoa que eu sou. O minimalismo, que tanto tem trazido crescimento à minha vida, entra nisso também.

    Eu falei tudo isso pra chegar no assunto do post, justamente porque pra mim é como se a vida tivesse várias camadas, em que uma coisa se sobrepõe à outra e os contextos em que nós vivemos assumem uma importância enorme na compreensão do que acontece e na maneira como nós enxergamos as situações. Quando eu entrava em um emprego novo, por exemplo, eu vivia angustiada até ter certeza de que as pessoas tinham me aceitado e gostavam de mim. Eu queria ser legal, mostrar que tinha aprendido as tarefas referentes ao meu trabalho, queria ser sempre solícita. E muitas vezes eu criava uma imagem que exigia de mim um esforço enorme na hora de dizer NÃO pra alguém. Geralmente eu me segurava e só fazia isso quando algo passava do limite. Se você já passou por isso, sabe que normalmente a situação em que esse NÃO é finalmente dito pode ser bem desagradável. E daí vem a culpa e a sensação de inadequação contra a qual eu lutava tanto.

    Quando me tornei professora eu comecei a lidar melhor com isso. Em parte porque é um trabalho que requer saber lidar com a rejeição (escrevi sobre a rejeição dos alunos aqui) e também porque eu já estava cansada de me preocupar com agradar os outros ou ser querida. Comecei a me voltar mais pra mim: conversava quando estava a fim e ficava quieta na minha se assim eu quisesse.

    Eu vejo hoje que falar menos ou não ter sempre um assunto pra conversar ou uma opinião formada não tem nada de mais, nada de errado. Pelo contrário, me sinto mais eu mesma, não me sinto mais fazendo uma "propaganda enganosa" de mim. E voltando ao minimalismo, estar nesse processo de buscar o essencial fez toda a diferença pra eu entender melhor como me sinto em relação às palavras. Pensando no que eu entendo ser uma vida minimalista e com mais propósito, faz muito mais sentido pensar nas palavras dentro desse contexto. É claro que eu não fiz nem pretendo fazer um voto de silêncio, pelo menos não vejo necessidade disso hoje. Em certos momentos (dando aula é um deles), eu falo muito, não me tornei uma pessoa apagada. Mas tenho preferido agir de forma a valorizar mais o que eu digo, dizendo o que é realmente adequado ao momento, ao local e principalmente ao meu estado de espírito. E o minimalismo me trouxe um jeito totalmente novo e um contexto excelente pra entender isso na minha vida.

    Ironicamente (ou não...rs) esse post ficou maior que o de costume. Talvez porque pra mim a redução das palavras não signifique menos conteúdo. Pelo contrário, é ficar com o essencial, o que é realmente importante, de fato conforme o que o minimalismo é pra mim.

Beijo gente, com muitas palavras e silêncios repletos de sentido!
Vanessa

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Inspiração: O que somos e o que poderíamos ser

    Oi, tudo bem?

    Gosto muito do Clóvis de Barros Filho, um dos filósofos que ganharam fama no YouTube nos últimos anos, e assisto a muitos vídeos dele disponíveis na internet. Hoje eu trouxe uma frase que ele diz muito nos vídeos, que é mais ou menos o seguinte:

As pessoas pensam na vida que não têm diante das escolhas que fizeram, mas não pensam naquilo de que teriam de abrir mão (ou que poderia dar errado) caso escolhessem outros caminhos.

    Acho difícil resumir em uma frase, então vou explicar o que eu entendo disso. Quando nós olhamos pra nossa vida e comparamos com a vida de alguém que julgamos ser mais feliz ou realizado do que nós, só observamos os aspectos negativos do nosso dia a dia, em comparação a tudo que há de bom naquela outra vida. Mas não consideramos o que poderia ser frustrante ou o que poderia dar errado caso tivéssemos escolhido um caminho diferente. É como comparar o que dá errado na sua vida com o que deu certo na vida dos outros. Uma comparação meio desleal com a gente né?

    Nós temos a tendência de exigir demais de nós, e em tempos de redes sociais e troca acelerada de informações, fica cada vez mais fácil selecionar e mostrar ao mundo somente aquilo que se quer mostrar. E se você analisa a vida de alguém de forma superficial, sem pensar no que não é mostrado, essa é uma visão muito distorcida da realidade. É claro que não devemos nos conformar com uma vida que não nos faz feliz, e devemos buscar melhorar sempre. Mas acho muito válido tomar bastante cuidado ao se comparar com os outros ou com idealizações que temos na cabeça, porque a realidade contém muito mais detalhes (às vezes sórdidos) do que se vê à primeira vista ou do que enxergamos ao idealizar uma vida melhor que a nossa.

    Pense nisso quando estiver achando a grama do vizinho muito mais verde que a sua. Essa é apenas parte da realidade.

Ótima semana!
Vanessa

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Inspiração: Escolhas conscientes

    Oi, pessoal! Espero que esteja tudo bem por aí!

    Hoje quero falar com você sobre as nossas escolhas. Estou em um processo de terapia há um tempo, e uma coisa que aprendi é que a terapia serve, entre outras coisas, para nos ajudar a fazer escolhas conscientes.

    Você pode estar pensando: "Ué, mas eu escolho de forma consciente, sei exatamente o que estou escolhendo." Acontece que é justamente o que nos motiva a escolher determinados caminhos na vida que muitas vezes pode representar uma repetição de padrões herdados da família, da nossa criação, de traumas até, que podem restringir a noção que nós temos de quais são as nossas reais possibilidades. Então, apesar de sabermos que escolhas e decisões estamos tomando na vida, podemos não atentar para o que está por trás delas. É aí que entra a capacidade de autoconhecimento e de análise das nossas atitudes. Conhecer o que nos motiva a agir de determinadas formas e a tomar certas decisões pode nos poupar um tempão e evitar uma série de situações que podem parecer estar fora do nosso controle, mas que de algum jeito foram facilitadas pelas nossas escolhas.

    Pra dar um exemplo, vamos pensar em uma pessoa que teve uma determinada criação, em que sempre se sentiu insegura com suas decisões, pois não teve da família um reconhecimento, um incentivo que fortalecesse sua autoestima e autonomia. Ao iniciar um relacionamento afetivo ou ingressar em um novo emprego, essa pessoa pode ser movida por atitudes que ela quis tomar, mas que, se analisadas à luz dessa característica da sua criação, poderão ser problematizadas - repensadas de forma mais profunda, o que leva a entender como aquele padrão de insegurança e baixa autonomia acaba se reproduzindo, mesmo em ambiente e com pessoas até então externos à sua história de vida.

    Quando tomamos consciência de como certas experiências passadas influenciam nossas tomadas de decisão, temos condições de fazer escolhas mais conscientes e de forma mais lúcida. Mais do que decidir certo ou errado, trata-se de conhecer o que nos motiva a cada decisão, entendendo melhor como elas são tomadas, a princípio de forma consciente, porém movidas por sentimentos, emoções e referências subjacentes que podem ser problematizadas, aumentando nossa consciência e nosso autoconhecimento.

Ótima semana pra você, com muito mais consciência!!

Vanessa

sábado, 15 de julho de 2017

Revendo as metas de 2017 ... e reajustando a rota

    Oi, pessoal!
    Esse meu pequeno período de férias no meio do ano veio a calhar pra fazer uma revisão daquilo que estabeleci como prioridade pra mim em 2017 e analisar se as coisas estão caminhando como eu planejei ou se é preciso reajustar as metas. E haja reajuste!! KKKKK
    Fiz um vídeo contando minhas 9 metas para 2017 e como estou me saindo em cada uma delas. Não se trata apenas do que EU estabeleci, mas de algumas sugestões que eu trouxe de como estabelecer metas e objetivos, e também como não se frustrar quando não nos saímos tão bem quanto esperávamos.
    No final do vídeo eu trouxe algumas reflexões que acho importantes para que as metas sejam proveitosas e realistas. Em resumo, tem quatro pontos que eu percebi que, se forem considerados ao criar/rever as metas, poderão trazer mais sucesso:

1 - Antes de lançar-se objetivos num momento de empolgação, pense se são o que você realmente quer e se cabem na sua rotina;

2 - Pense em como é seu dia a dia e veja como pode priorizar as metas que você escolheu, para que possa organizar seu tempo de forma adequada, evitando frustrações;

3 - Ao invés de começar com algo muito extremo ou que exija uma mudança radical de hábitos (se isso funcionar pra você, vai fundo!), adapte-se aos poucos ao que você está planejando, pra poder começar, principalmente se for algo muito novo pra você. Isso pode evitar o famoso "fogo de palha": começar e dali a uma semana deixar a meta de lado;

4 - Rever periodicamente suas metas e analisar o que tem feito para atingi-las. Reconsiderar o que não é mais uma prioridade para você e ajustar o que não está andando bem.

    Lá no vídeo tem vários outros detalhes:



    Espero que gostem, e fiquem à vontade pra comentar!

Beijos e até!
Vanessa

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Inspiração: Amor por um animal

    Olá! Saudadona de escrever aqui! Tenho duas semanas de férias, então vou poder abastecer o blog e o canal com vários temas e ideias, coisas que gosto muito de conversar com vocês. E falando em gostar muito eu escolhi, pra nos inspirar hoje, nossos bichos. Esses animais, que de irracionais não têm nada (pelo contrário), nos dão diariamente doses gigantescas de amor e lições de compreensão e carinho que nenhum ser humano "inteligente" é capaz de dar.
    Às vezes eu fico observando minha cachorra (já falei bastante sobre ela nesse vídeo aqui) e como seria bom viver cada momento, como ela sabe fazer. Ela não tem preocupações, a não ser uma caminha pra descansar, água fresca e alimento. Tudo isso ela tem sem esforço, então pode se dedicar quase integralmente a nos fazer felizes (o que ela faria, mesmo passando sede e fome). É carinho desde a hora de acordar até ir dormir, não tem tempo quente, disposição pra brincar a qualquer hora. Mesmo se não estamos a fim quando ela quer atenção, se somos nós que precisamos da atenção dela, entrega incondicionalmente seu amor pra nós. E ela vive o hoje, curte cada momento dando importância ao que realmente importa. Tenho certeza que se você tem um gato, cachorro, pássaro, lagarto ou outro bicho, comum ou exótico, na sua casa, entende bem que temos motivos infinitos pra amá-los né?
    Mas antes de encerrar esse post, quero contar minha recente experiência com peixes. Desde fevereiro desse ano resolvi que queria um aquário. Já tive um peixe Betta há muitos anos, que como muitos por aí morreu por falta de informação e cuidados adequados, já que as lojas instruíam os clientes a cuidar dessa espécie de peixe de forma muito irresponsável, porque ele costuma ser bem resistente, além de bonito. Hoje, com todas as informações disponíveis na internet, tenho aprendido horrores sobre esse hobby maravilhoso que é o aquarismo, e inclusive pretendo trazer um pouco disso aqui para o blog.
    Pois bem, voltando ao meu (re)começo no aquarismo, comprei um aquário de 20L e em seguida montei um de 120L. Me apaixonei. Gostei tanto que na escola onde trabalho montamos um projeto de fazer um aquário com os alunos, que deverá ser realizado agora no segundo semestre. E meu marido vive me dizendo: "Você não pode se apegar a peixe, o ciclo de vida desse bicho é curto, depois você sofre e blá, blá, blá". E é verdade, sofro mesmo, porque peixes são animais sensíveis a pequenas variações em seu ambiente. E agora no inverno tenho tido vários problemas e perdas no meu aquário, mas o mais fantástico é ver que esses bichinhos, aparentemente sem graça, interagem com a gente e nos fazem muito bem. Conseguir recriar em uma caixa de vidro o ecossistema mais adequado a eles, ver que mesmo tão frágeis estão crescendo, se reproduzindo e vivendo bem em um ambiente que eu criei é demais. Com o tempo eles nos reconhecem e vêm comer na nossa mão, e isso é tão legal! Peixes são formas de vida tão pequenas (no caso dos meus) e delicadas, que têm inspirado em mim um maior respeito pela vida em geral. Por mais que seu ciclo de vida seja relativamente curto (há peixes que vivem vários anos), é inspirador demais ver a vida desses bichinhos. 
    Era isso que eu queria deixar aqui pra te inspirar nessa semana. Conta pra mim aí nos comentários que bichos você tem (ou teve) que despertaram amor em você também! E que possamos começar nossa semana com a simplicidade deles!

Beijão gente!
Vanessa

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Inspiração: renovar o foco naquilo que nos move

Olá!
    Em primeiro lugar, desejo a você uma semana excelente. Que seja produtiva, leve e sobretudo que você possa ter em mente (ao menos em boa parte do tempo) o que realmente importa. Além das contas pra pagar, das obrigações do dia a dia, da correria no trânsito e da tensão dos compromissos de trabalho da segunda-feira, é importante saber focar no que nos move. Temos a tendência de tornar automáticos os comportamentos que se repetem constantemente: levantar pela manhã, tomar café e se arrumar para o trabalho são exemplos disso. Daí, quando o fim de semana chega, é como se soltássemos um cinto apertado da cintura e pudéssemos enfim relaxar. Com a rotina de trabalho e a correria envolvida, eu muitas vezes me sinto assim, e por isso tenho pensado muito no que me move, naquilo que me motiva a continuar, para tornar meus "dias úteis" mais leves e tranquilos. Afinal, não acho que seja saudável ter bons momentos só aos fins de semana ou fora do ambiente profissional. Apesar dos obstáculos e dificuldades do dia a dia (no meu caso, a resistência de parte dos meus alunos às atividades que proponho nas aulas, sua apatia e falta de colaboração são particularmente desmotivantes), tenho tentado pensar nos princípios e ideais que movem o meu trabalho (pra dar um exemplo pessoal de novo, colher resultados positivos, ainda que raros, nas discussões com os alunos, criar vínculos com eles e ajudá-los a criar condições para que tenham acesso às inúmeras possibilidades que a vida pode lhes oferecer, a partir do estudo). Os desafios são diários, não só no trato das questões próprias do trabalho, mas nosso país está vivendo uma fase de grandes perdas de direitos conquistados, e quem é assalariado vislumbra um futuro pouco animador nesse sentido.
    Eu tenho buscado então renovar meu foco a partir dessas reflexões. Estou buscando aprimorar cada vez mais a forma como organizo minhas atividades e uso meu tempo, pra evitar que o trabalho acabe consumindo boa parte do meu tempo livre ou dos meus pensamentos quando estou fora do horário/ambiente profissional. E quando a coisa aperta (vida real né, gente), o que tem funcionado pra mim é parar, respirar fundo e focar no que me move, nos objetivos que pretendo atingir, nos resultados possíveis, desde os menores até os mais ambiciosos. Espero que essa reflexão te inspire pra começar sua semana, seu dia ou qualquer outro momento.

    Beijo grande, até mais!
    Vanessa

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Inspiração: Amplie a sua zona de conforto

Olá! Tudo bem?
    Tem uma coisa que eu li no livro Trate a vida por Tu, de um escritor português chamado Daniel Sá Nogueira, e gostaria de deixar como inspiração para a nossa semana "pré-feriado". Esse livro deve ser vendido na categoria autoajuda, que particularmente não me atrai muito, mas tem dicas e exercícios muito legais de desenvolvimento pessoal. Já faz um tempo que li e é um livro muito rico sobre a vida dele e como implementou alguns princípios na sua rotina pra mudar o que não o deixava satisfeito. Bom, pra hoje quero destacar essa ideia aí do título da postagem, de aumentar nossa zona de conforto.
    No livro, o autor comenta que muitos de nós sentem-se plenamente confortáveis e à vontade em situações muito determinadas e específicas, como no seu quarto relaxando com uma roupa confortável ou sozinho praticando algum hobby. Daí ele apresenta níveis de redução do grau de conforto que temos, ao passar para o ambiente de trabalho, o trânsito, um jantar de negócios - em que lidamos com um nível maior de ansiedade/desconforto, até chegar a um nível em que não conseguiríamos lidar satisfatoriamente com a situação. E ele propõe uma ideia muito legal que é a de realizar um trabalho interno para, cada vez mais, ampliar as possibilidades de situações e ambientes nos quais nos sentimos confortáveis. Isso implica duas coisas principais pra mim:
  • Mudarmos nossa perspectiva diante das situações, ganhando maior controle não exatamente sobre o que poderá ocorrer, mas procurando reduzir o nível de ansiedade e focando mais naquilo que depende mais de nós do que do ambiente/situação à nossa volta, como nossas atitudes diante dos acontecimentos;
  • Nos expormos a pequenas situações que não são exatamente as que consideramos como ideais, mas nas quais conseguimos manter um desempenho razoável - seja no âmbito profissional, social ou outro em que estejamos interessados em melhor nos desenvolver. Você pode estar pensando que nós rotineiramente já nos sujeitamos a várias situações que muitas vezes não gostaríamos de passar, porque as circunstâncias nos levam a isso, o que não necessariamente nos faz bem. Mas não é isso que eu entendo que seja a ideia desse conceito que o livro traz. Pra mim, não é uma questão de fazer certas coisas ou estar em certos lugares "por obrigação", mas de criar uma segurança própria e estratégias eficientes pra lidar com coisas que poderiam limitar nossa capacidade de agir.
    Eu acho importante deixar claro que não acredito que a gente simplesmente deva se submeter a situações desagradáveis pra aumentar nossa zona de conforto. Aliás, isso vai totalmente contra a ideia de priorizar o que é importante pra nós e que nos faz bem (ideias fundamentais no minimalismo, inclusive). Mas, justamente dentro daquilo que é importante (ou que leva a coisas importantes pra nós), surgem situações que nos causam uma sensação de deslocamento do ambiente ideal e de desconforto, e criar maior consciência disso pode nos ajudar a lidar com elas de forma muito mais eficiente, trazendo ainda um ganho pessoal muito importante, que é o de manter a serenidade e conseguir fazer o nosso melhor em diversas situações.

    Essa é a ideia, então deixo pra você a sugestão de tentar isso nessa semana: ao estar exposta(o) a uma situação fora do que você considera ideal, pare alguns instantes e reflita sobre a situação, sobre você e suas capacidades. Tente encontrar o que motiva sensações e reações que te deixem desconfortável, para então assumir maior controle sobre suas reações e converter uma situação potencialmente desconfortável em algo que ajude a aumentar sua zona de conforto e que, afinal, vai ter servir para se sentir bem em uma maior variedade de ambientes, conectando-se a um equilíbrio interno, independente do que está acontecendo fora.

Espero ter te ajudado a começar bem a semana, um beijo e até mais!

Vanessa

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Metas e o que importa

Olá, gente! Tudo bem?

    Desde janeiro que eu queria escrever um post sobre metas, porque confesso que nesse início de ano fiquei meio "de bode" com as metas...rs
Explico: como muitas pessoas, eu tenho o hábito, já faz um tempo, de escrever a famosa "lista de resoluções de ano novo". Sempre ficava contente em escrever aquele monte de coisas pra conquistar e realizar a cada ano que se inicia, mas nos últimos anos comecei a perceber que essa lista acabava ficando esquecida a maior parte do tempo, minhas metas não eram divididas em tarefas menores para que eu pudesse realizá-las com um mínimo de planejamento, e além disso eu acabava me lembrando, muitas vezes com pesar :'''(, de uma ou outra meta - em geral cuja realização não estava acontecendo. Sempre havia inúmeras justificativas que me impediam de dar andamento àquelas metas da listinha da esperança que eu fazia em dezembro ou no início de janeiro, de boa nas férias, quando acreditamos que dar um passo maior que as pernas é algo plenamente possível... E daí aconteceu que no início de 2017 eu resolvi simplificar, pois não queria de novo revisitar a listinha do início do ano que tinha "acabado de acabar" pra constatar mais uma vez que não tinha dado conta de tudo o que queria fazer.
    Pra mim, simplificar não significa parar de pensar nos objetivos para o ano ou para prazos maiores, mas eu percebi que em geral minhas metas eram sempre as mesmas: ter mais tempo livre, ler mais, manter-me produtiva no trabalho durante todo o ano, me alimentar bem e fazer exercícios físicos, além de aprender mais sobre finanças pessoais e como investir meu suado dinheirinho. Fala aí, suas metas não se aproximam muito dessas? Ah, e claro, faltou a famigerada viagem, pra esquecer do dia a dia atribulado. Engraçado né, como temos tantas opções e mesmo assim nos tornamos tão repetitivos... Mas isso é tema pra outra conversa. Voltando ao foco, resolvi simplificar e pensar em coisas que eu conseguiria priorizar em 2017, mesmo que implicassem algum sacrifício. A princípio fiquei com a sensação de que eu já sabia o que queria realizar nesse ano, e resisti por semanas a fazer a tal listinha. Até que elenquei sete tópicos, a maioria deles bem gerais pra servirem como lembretes de valores importantes pra minha vida nesse ano, e não mais como obrigações que eu não poderia me decepcionar novamente por não fazer. Se começasse assim, já seria um peso no meu início de ano, ou seja, já começaria mal. Minha lista é:
  1. Fazer exercício físico 3 vezes por semana (me matriculei na academia, mas ainda não me organizei o suficiente para frequentá-la nesse ritmo);
  2. Organizar e manter rotina de cozinhar em casa e aprender novidades (estou conseguindo preparar marmitas e congelar pra levar para o trabalho, e por enquanto estou me saindo melhor nessa parte do que ano passado);
  3. Manter a rotina de trabalho em ordem e sempre adiantada (estou encerrando o primeiro bimestre letivo com a sensação de que vou dar conta dentro do prazo sem me descabelar; não trazer trabalho pra casa já é algo ainda a ser conquistado...rs);
  4. Ler no mínimo um livro por mês (estamos em abril e até o momento li um livro inteiro, metade de outro e estou lendo um terceiro; com o cansaço esse é um hábito que se torna mais difícil em períodos com maior volume de trabalho, mas estou tentando ler todos os dias, mesmo que poucas páginas);
  5. Viajar no mínimo uma vez (ainda estamos planejando uma viagem com duração de 4 a 7 dias nas férias, mas ainda no primeiro semestre acho que vou conseguir um fim de semana pra desligar e relaxar);
  6. Economizar dinheiro e fazer compras inteligentes (esse é o ponto em que estou me saindo melhor; já tenho há um tempo uma rotina de reservar dinheiro todo mês, e o minimalismo tem facilitado muito as minhas escolhas de consumo; tenho comprado pouco e isso tem me feito bem, estou inclusive planejando para os próximos anos reduzir minha carga de trabalho, que hoje é bem pesada);
  7. Ter mais tempo para lazer e hobbies (desde que montei meu aquário em fevereiro, estou avançando nesse ponto; tem sido muito terapêutico pra mim esse pequeno ecossistema que consegui criar dentro de uma caixa de vidro com 20 litros de água; tanto que já estou montando um aquário maior, e logo vocês vão saber mais disso por aqui).

    Não sei se essa forma um pouco diferente de ver minhas metas trará resultados plenos até o fim do ano, mas fazer esse post foi legal porque me ajudou a analisar como estou me saindo. Pra mim, a questão é o tempo e como utilizá-lo de maneira inteligente. Não se trata apenas de querer fazer as coisas ou estar motivada, mas de organizar o tempo e saber priorizar, isso é essencial.
    Queria também dizer que a gente se sente meio que obrigada a ter muitas metas, conquistar muitas coisas, fazer diversas atividades simultaneamente, e pra mim essa lista de metas vistas como valores de qualidade pra minha vida tem sido uma forma de focar no que realmente importa, o que é simples e realmente necessário pra mim. Se você sente essa dificuldade em dar conta de tudo, dê um basta, pare de exigir de você o que não é essencial e foque no que realmente irá fazer diferença na sua vida. Acho que essa pode ser uma boa meta!

Beijo geeente!
Vanessa

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Inspiração - Idas e vindas, mudanças e permanências


Oi, tudo bem?


Fiquei vários meses sem aparecer por aqui (e essa não é a primeira vez que isso acontece... rs). Como isso pode voltar a acontecer, acho que não cabe me justificar ou prometer estar mais presente. Cabe sim agradecer pelos acessos ao blog e ao canal, pelas inscrições e comentários, que me incentivam e me deixam sempre contente. Estava me programando pra voltar a escrever e gravar vídeos durante as férias, tentar adiantar bem as coisas e assim não perder regularidade. Infelizmente, esse fim de ano foi bem difícil pra mim, com a perda de alguém muito importante na minha vida, o que me tirou totalmente dos eixos e me forçou a tomar várias decisões e a investir boa parte do tempo para reorganizar as coisas. Esse post não tem a intenção de ser um tipo de lamentação, homenagem ou coisa do gênero, porque pra mim essas coisas são muito íntimas e estão fora do foco do blog.

Mas então por que estou falando disso tudo, né? Porque quando algo muito drástico como uma perda familiar acontece, a gente começa a repensar o que realmente importa e a dividir o tempo e a nossa vida em dois períodos: antes/depois do fato ocorrido. Eu, pelo menos, comecei a contar os dias, meses e anos em direção ao antes/depois do dia 05/01/2017, que infelizmente sempre será uma marca triste no meu coração.

E pensando em como tirar alguma reflexão do que eu vivi nesse período como forma tanto de me ajudar a processar as informações/emoções quanto de inaugurar o ano de 2017 aqui no blog, comecei a pensar em como as coisas são mais ou menos permanentes/incertas. Mais ainda, como nós nos apoiamos em certezas de permanência de várias coisas na vida, mesmo sabendo claramente que de permanente essas coisas não têm nada. E é disso que eu queria conversar com vocês. Minha intenção é lançar alguns questionamentos que não pretendo responder nem dar a minha visão a respeito, mas com eles gerar uma pausa no seu dia, talvez até um desconforto e uma incerteza momentânea, que você certamente vai esquecer depois, assim como eu, mas tentar por alguns instantes pensar:

1 - Já reparou como vivemos evitando o envelhecimento e a morte, mesmo sabendo que a nossa maior certeza, talvez a única, a partir do momento em que nascemos nesse mundo, é de que morreremos? Por que então vivemos como se a morte não existisse ou não fosse algo plenamente natural?

2 - Por que adotamos uma opinião, um padrão de pensamento, um sabor ou cor preferida, uma postura diante das situações, como se isso não pudesse nunca ser mudado?

3 - Por que insistimos em acreditar, com todas as nossas forças, que teremos vigor, saúde e a energia da juventude para sempre, tornando a busca pela aparência algo tão importante, como se pudéssemos (ou devêssemos) ser jovens para sempre?

4 - Por que teimamos em tentar mudar nos outros aquilo que sabemos que não vai mudar?

5 - Por que tantas e tantas vezes valorizamos tanto, dedicamos tanto tempo e energia a coisas que sabemos que no final das contas não irão fazer tanta diferença que justifique esse desperdício todo de vida?

Eu poderia listar aqui inúmeras outras coisas, mas acho que deu pra entender aonde quero chegar né? Interessante, porque esses são temas que podemos analisar mesmo descolados de uma situação drástica. No Projeto Minimalismo aqui do blog, em que conversamos sobre viver com o que realmente importa, já falamos bastante sobre isso. Se você quiser saber mais do que estou falando, dá uma olhada nesse post aqui e nesse outro. Se fizer sentido pra você, fique à vontade pra ler os outros textos dessa série (que terá continuidade) e comentar.
Perder alguém que amamos faz a gente questionar muito o valor das coisas. Ou melhor, o valor que nós atribuímos a cada coisa. Você tinha em mente que tudo seria de determinada forma, e de repente se vê no olho do furacão e custa muito a se convencer de que está vivendo uma situação real e não um sonho ruim. De repente, começa a se questionar se precisava de tantas certezas assim...

Se você tiver algum questionamento desse tipo pra trazer, deixe nos comentários e a gente vai se falando.

Que o nosso ano seja repleto de constâncias e inconstâncias, como a vida sempre é, e que você saiba aproveitar ao máximo o que for bom e contornar da melhor forma possível o que não for tão bom. Mas que acima de tudo não tente se iludir com a ideia de que as permanências e mudanças da vida estarão sempre ao seu dispor. Não estarão, e é isso o que nos faz valorizar o que importa de verdade.

Beijo, pessoal.
Vanessa

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Projeto Minimalismo #7: minimalismo e finanças

Olá!
Eu acho muito legal falar de minimalismo e finanças, porque você pode considerar a questão financeira como um gatilho pra adotar essa filosofia de vida, mas ela também é afetada pelas consequências de adotar os seus princípios. Fica comigo até o final da postagem que eu explico isso direito.

Eu já comentei aqui no blog que viver com menos não significa ser miserável ou se frustrar por não poder aproveitar bem a vida e o que ela nos oferece. A ideia central do minimalismo é viver bem de verdade, com aquilo que é realmente importante, eliminando o que pode desperdiçar tempo, sentimentos, espaço, e também dinheiro.

Num primeiro movimento, quem vê no consumo exagerado uma vida vazia e situações que nos levam, na maior parte das vezes, a comportamentos fúteis, ao se tornar minimalista acaba passando por uma redução de gastos - já que o consumo desnecessário começa a perder sentido. Então, nesse caso a economia de dinheiro vai meio que no automático mesmo e vira uma consequência de buscar simplificar a vida. Como as prioridades começam a mudar, esse dinheiro que deixa de ser gasto acaba sendo direcionado a outros objetivos, que muitas vezes nem faziam parte do horizonte de quem priorizava o consumo. Uma das ideias mais comuns no mundo minimalista é gastar mais com menos coisas, que são melhores e duram mais, além de priorizar experiências/conhecimento ao invés de coisas.

A segunda forma de enxergar esse processo - não menos positiva - é fazer o caminho inverso. Muitas pessoas que se veem atoladas em dívidas ou que precisam organizar sua vida financeira e não sabem por onde começar, encontram no minimalismo princípios que facilitam a economia de dinheiro e, o mais legal, trazem uma grande dose de autoconhecimento para analisar o que cada um prioriza e o que é realmente importante. Muita gente que reclama de ganhar pouco, quando recebe um aumento ou muda de emprego e passa a ganhar mais se vê em pouco tempo reclamando novamente de não dar conta de se manter com tranquilidade, ou se vê engolido pelo trabalho, sem tempo livre para as outras áreas da vida. Esse é um exemplo recorrente, nenhuma novidade. Mas daí, quando o princípio da simplicidade e a ideia de levar uma vida mais leve - síntese pra mim desse estilo de vida - entram nas prioridades, a pessoa se vê obrigada a olhar pra si e questionar: por que gastar centenas de reais em uma noite de balada? Por que ter que comprar roupas novas constantemente e trocar todas a cada nova estação ou coleção? Por que ter amigos para os quais é necessário sempre exibir coisas caras e um estilo de vida além das necessidades, e pior, muito além do que se pode manter? Esses questionamentos acabam levando a olhar pra dentro, a procurar o que realmente vale, e a dizer ao dinheiro quem manda. Pode parecer meio clichê, mas a gente sabe que precisamos pensar nisso constantemente. Vivemos em um mundo que nos direciona a consumir sempre mais, a nos sentir sempre priores por não termos o que é novo, caro e moderno.

Já pensou nisso? Acho que vale muito a pena fazer essa reflexão. O dinheiro é algo tão poderoso, define de tal forma as nossas decisões, que ele acaba sendo um ponto de partida pra gente entender melhor os rumos e escolhas que seguimos nas diversas áreas da nossa vida.
Espero ter ajudado você a pensar mais sobre o minimalismo e a ver como pode ser libertador usar os princípios minimalistas pra saber lidar da melhor forma com o dinheiro e colocá-lo no seu devido lugar, sem menosprezar nem superestimar sua importância.

Um beijo e até mais!
Vanessa

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Inspiração - Ouvir e saber ouvir

Oie!
Na última semana eu ia fazer uma postagem sobre o 7 de setembro e a postura das pessoas diante da situação atual do Brasil, mas acabei deixando pra lá. Só que o tema de hoje tem tudo a ver com as discussões políticas que vêm acontecendo e com a forma como as pessoas têm reagido a ideias e pensamentos diferentes, principalmente nessa área. Então, te convido a pensar também um pouco sobre isso, lendo esse post.
Você já reparou como grande parte das pessoas tem a incrível necessidade de falar, sempre dar sua opinião sobre tudo, com uma grande dificuldade de aceitar pontos de vista diferentes dos seus? Temos em geral uma tendência a afastar quem tem pontos de vista diferentes dos nossos. Nós nos aglutinamos em ilhas de opiniões pareadas, tentando sempre manter um consenso, ao mesmo tempo em que passamos a aceitar conceitos e opiniões vindas de dentro desses "grupos de segurança". Por mais que nossos amigos sem progressistas, tenham a "mente aberta" e tudo o mais, esse nosso comportamento vai justamente contra aquela primeira ideia que muitos de nós temos, de não dogmatizar os conhecimentos e buscar liberdade de pensamento.
Esse contexto é justamente o que pra mim está acontecendo na situação atual da política brasileira. Toda essa polarização de opiniões contra uns, a favor de outros, é meio infantil, tipo um jogo de mocinho e bandido. Se eu estou do lado "A" e descubro que você está do lado "B", você automaticamente vai contra todos os meus princípios de um mundo melhor, que obviamente são os princípios mais justos e adequados. Mesmo que você concorde apenas com uma parcela do lado "B", pra mim você já não faz parte do grupo de segurança. E eu por outro lado, entre o meu grupo onde todos estamos com a razão, também tenho que ficar de olho e tomar cuidado para não deixar escapar nenhuma eventual dúvida quanto à minha posição, sob pena de perder minha identidade nesse grupo e ficar sem grupo nenhum. Ou pior, ser identificada como quem está no grupo oposto.
Gente, não é meio ridículo isso? Tenho visto gente muito inteligente, com pontos de vista genuinamente valorosos e bons, assumirem posturas verdadeiramente fascistas, no sentido de serem autoritárias e inflexíveis, contrariando sem perceber ideias que defendem com seus discursos. E acho que deveríamos pensar um pouco mais nisso, estamos radicalizando cada vez mais nossas opiniões e perdendo a capacidade de aceitar interpretações diferentes dos fatos ou mesmo de fazer o exercício mental de assumir pontos de vista diferentes, ainda que somente como forma de exercício mesmo.
Bom, o segundo ponto que eu quis trazer pra nossa reflexão é o de saber ouvir. E vou usar como exemplo situações vividas por mim. Eu sempre fui mais de ficar na minha do que de me expor. Isso não significa que eu saiba ouvir os outros, porque quando alguém pára e se interessa em ouvir o que eu tenho a dizer, e se mostra de acordo comigo então, nossa, daí falo hein... Isso só mostra que, apesar de eu não buscar falar sempre e impor minha opinião aos outros, tampouco sei ouvir. E acho que a maioria de nós tem um pouco disso, seja para o lado de falar ou para o lado de não saber ouvir.
Nossa necessidade de ter razão às vezes supera nossa própria razão, no sentido de usar lucidamente nossas faculdades mentais, sem a necessidade de apelar a posturas mais emocionais. E a história já nos deu exemplos de sobra de como posições fechadas em si mesmas podem resultar em políticas absurdamente radicais e maléficas a todos nós.

Beijos, boa semana!
Vanessa

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Projeto Minimalismo #6: o minimalismo de cada um

Oi! Tudo bem por aí?

O post de hoje segue na linha do anterior, onde conversamos um pouco sobre a necessidade de a gente se conhecer bem pra saber do que desapegar, tanto para tralhas físicas quanto emocionais. Por isso que o minimalismo deve ser adaptado à sua realidade e é disso que eu quero falar. Adotar princípios minimalistas não significa se privar daquilo que traz alegria e deixa a vida melhor. Se você está em um conflito de desapego de algo porque sente que está abandonando o que torna sua vida melhor, talvez seja um bom momento pra repensar o que o minimalismo significa pra você e o estilo de vida que você tem/deseja ter. Pense no minimalismo como viver com o que (no sentido mais amplo possível) é indispensável pra você. Isso significa priorizar, e mais uma vez, conhecer-se. Se a gente sofre ao tentar tirar da rotina objetos, relacionamentos ou comportamentos, certamente estamos começando do fim, entende? Minimalismo não é autoflagelação, voto de pobreza ou demonstração de elevação espiritual para os outros verem. É claro que há um princípio de simplicidade, economia e até sustentabilidade quando pensamos na filosofia da coisa. Mas há também a liberdade de cada um adotar e aplicar na sua vida aquilo que melhor lhe convier, mais um motivo pra eu estar gostando tanto desses e outros princípios minimalistas.
Uma das coisas que fiz de cara quando comecei a me interessar pelo assunto foi reduzir boa parte das minhas roupas e sapatos. Eu sou daquelas pessoas que adoram uma pechincha, e perdi a conta de quantas vezes deixei de comprar algo que gostei muito porque era mais caro e acabei escolhendo o mais barato pra comprar mais de um ou pra não ficar com a consciência pesada. E o que aconteceu? Tralhas acumuladas porque não eram realmente o que eu queria, ou um uso forçado por um tempo apenas pra sentir que "valeu a pena comprar". Por isso, me desfiz de cerca de 1/3 do que tinha no guarda-roupa e, a partir de então, quando algo novo entra, me esforço pra tirar algo antigo que não esteja cumprindo de fato sua função. E acho que o mesmo vale para as coisas todas que cercam nosso dia a dia e nossas rotinas.
Esses dias eu já estava pensando em de novo fazer uma limpa no guarda-roupa, não porque comprei outra vez o mesmo volume de coisas, mas porque tenho várias peças que ficaram em "stand-by" pra ver, em um segundo momento, se eu realmente usaria. Adivinha? Sem uso, ocupando espaço e me cansando ao olhar pra elas todo dia e não usar.
Eu queria também mostrar nesse post que há todo um dinamismo, porque a gente muda com o passar do tempo e elege novas prioridades, o que modifica todo o jeito como lidamos com as coisas e até gera ou cessa novas necessidades.
Então, nada de radicalismos. Ao menos pra mim, não funciona. Estou adaptando os princípios minimalistas de acordo com o que acho importante, e tentando pensar sempre no que é prioridade pra mim, não naquilo que preciso tirar da minha vida. Tenho buscado fazer mais coisas que me realizam de verdade e reduzir a dependência de obrigações que consomem tempo mas que no final das coisas não são realmente importantes.
Quis usar exemplos corriqueiros pra ilustrar, mas como eu sempre digo, eles se aplicam aos vários aspectos da vida.

Espero ter acrescentado uma boa reflexão à sua semana. Até mais!
Vanessa

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Projeto Minimalismo #5: Minimalismo e Autoconhecimento

Olá!
Nossa conversa de hoje é sobre algo muito simples e ao mesmo tempo muito difícil pra maioria de nós. Sendo bem direta, o assunto hoje é:

O que é realmente importante para você?

Conhecer-se e saber o que de fato é essencial na sua vida são pra mim uma das bases para um estilo de vida minimalista. Não existe fórmula pronta no minimalismo. Pra determinada pessoa, deixar de ter 30 pares de sapato e ficar com 15 é um exemplo de desapego. Pra outras, conseguir reduzir de 100 para 60 pares é uma tarefa hercúlea, que exige um esforço enorme. Por isso, ao assistir a vídeos sobre o assunto ou ao ler posts como este que escrevi pra gente pensar no assunto, não adianta querer uma fórmula pronta, pois o que atende uma pessoa não necessariamente atenderá outras. É aí que entra esse lance fantástico que é a gente saber o que é importante pra nós, nos principais aspectos da vida. O seu ambiente de trabalho te exige roupas formais? A sua imagem precisa transmitir tendências atuais de moda e comportamento? Você frequenta ambientes muito variados? É uma pessoa que precisa estar rodeada de muita gente e curte uma vida social intensa? Você se chateia facilmente e guarda o que sente, ou leva as coisas numa boa mas diz o que pensa sem filtrar muito?
Como já conversamos, o minimalismo acaba atingindo todas as áreas da nossa vida, e pra saber o que você pode reduzir no seu dia a dia deve saber selecionar o que é importante de verdade. E sem se conhecer não rola...
O legal de tudo isso também é que a gente muda muito ao longo do tempo. E o que hoje é importante amanhã pode ser algo perfeitamente dispensável na sua rotina, quando você vai começar a dar valor pra coisas/sentimentos/comportamentos que talvez nem notasse antes. Isso pode até te levar a terminar relacionamentos, mudar de profissão ou área de atuação, entre outras mudanças mais ou menos drásticas, dependendo do peso que o minimalismo ganhar na sua vida.
Então, nesse caminho de simplificar as coisas e ganhar em vivências e experiências, conhecer-se é indispensável e vale muito a pena e traz recompensas libertadoras.

Beijo pra você e até mais!
Vanessa

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Inspiração: Juventude

Oi!
Nessas semanas de jogos olímpicos (que por sinal me surpreenderam positivamente), eu tenho pensado muito na juventude de modo geral. A competição exige um nível de desempenho altíssimo, e enquanto assistia às provas fiquei pensando em como esses atletas, muitos deles muito jovens, têm uma vida tão diferente da maioria das pessoas, que na mesma idade provavelmente estão trabalhando, estudando, criando seus filhos. Sinto uma invejinha dessa vida cheia de emoção, entrega, esforço e o glamour de ser parte das expectativas de toda uma nação, conhecer o mundo praticando esporte e inspirando gerações.
Trabalhando com adolescentes, às vezes me pego olhando para meus alunos e pensando no que eu fui igual ou diferente deles, no que acho que a vida deles é melhor ou pior do que a minha na idade deles. E fico pensando no que sempre ouvia dos professores quando eu estava na escola: "Vocês são o futuro, vocês são o amanhã!". Bem, o amanhã chegou pra mim, aliás, o hoje né, porque hoje é sempre o amanhã que planejamos antes ou que simplesmente aconteceu pra nós. E fico pensando se os jovens, brilhantes atletas olímpicos ou meus alunos - dos mais problemáticos aos mais capazes - têm consciência de como a fase que vivem é bonita e importante para o que virá depois. Posso dizer por experiência própria que não tinha essa noção.
E então, eu me pergunto: será mesmo que a juventude é a fase mais brilhante da vida e deveríamos viver sempre tão dedicados a buscar a juventude? Ao mesmo tempo que é um período fantástico, aos 34 anos eu sinto que amadurecer é quase melhor do que aquela liberdade e descompromisso dos anos que precedem a idade adulta. É bom saber que depois de uma fase tão intensa e às vezes confusa, quando temos a vida toda pela frente e podemos ser o que quisermos, vem um período da vida em que as coisas podem mudar muito, erros, acertos e realizações do dia a dia que superam as fantasias e sonhos. Não porque todos os sonhos se realizaram e a vida vem sendo um mar de rosas, mas porque ser adulto e realizar planos é também uma superação, ainda que muitos sonhos de infância e juventude tenham ficado apenas na memória.
Então, que a sua semana possa começar com esse pensamento. Se você, como eu, já não é tão jovenzinho(a), tem ainda um pé naquela fase de sonhos e expectativas, mas também sente a pressão de ser adulto, ou se já está em fases mais avançadas da vida, cada uma com sua dor e sua delícia, acho que não vale a pena viver com a mente em uma época descolada daquela em que você está de fato. Viver fases outras que não aquela em que você está é como matar parte da sua vida. Que o seu espírito se mantenha jovem pra se encantar com o que há de bonito e agregue experiências pra sofrer menos com as incertezas e dificuldades da vida adulta.

Beijos e boa semana!
Vanessa

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Projeto Minimalismo #4: Desapego emocional

Oi!
Quem se interessa pelo estilo de vida minimalista, encontra de imediato em livros, sites e vídeos orientações para desapegar. Reduzir a quantidade de itens e objetos que temos em casa e que usamos no dia a dia. A ideia é ter coisas boas e duráveis, de preferência produzidas de forma responsável para com o meio ambiente e os trabalhadores envolvidos, evitando assim estar sempre comprando e sobrecarregando de um lado nossa rotina para administrar tantas coisas, e de outro os recursos naturais.
Essa já é uma ideia bem difundida do minimalismo, e no post sobre consumo já falei um pouco sobre o desapego material. Hoje quero falar do desapego emocional e psicológico, que também tem tudo a ver com o minimalismo.
Ao longo da vida, as experiências e relacionamentos que ajudam a moldar nossa personalidade e caráter deixam aprendizados importantes que levamos pra sempre. Dizem que deixamos parte de nós nos outros e levamos parte dos outros conosco nessa experiência maluca que é viver. O problema é que nesse caminho, às vezes tortuoso, acumulamos sentimentos, mágoas e decepções que acabam pesando e interferem na forma como lidamos com as experiências atuais. Acabamos depositando uma carga negativa em situações que já são naturalmente difíceis, mas que acabam se tornando um obstáculo ainda maior a ser transposto. E isso muitas vezes se dá de forma inconsciente, trazendo sofrimento. O mesmo vale para "amizades" que não acrescentam nada de positivo às nossas vivências, pessoas que ficam literalmente fazendo peso na nossa vida, porque nos sentimos na obrigação de nos manter dentro de certos padrões sociais.
Como o minimalismo instiga a olhar pra dentro e ficar somente com aquilo que realmente importa, te convido a fazer uma reflexão nesse sentido. E fazer um "detox" de sentimentos e relacionamentos que não fazem bem, o que vai liberar espaço e energia para o que realmente vale a pena.

Por hoje é isso, beijos e até!
Vanessa

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Projeto Minimalismo #3: A imagem que transmitimos e quem realmente somos

Oi!
Ainda dentro da ideia do consumo, que conversamos no post #2, hoje o assunto é IMAGEM e REALIDADE.
Todos nós transmitimos algo através da maneira como nos apresentamos aos outros e como nos comportamos. Por mais que a gente se vista, fale ou gesticule de forma não programada, com a impressão de que nada disso é intencional, na verdade, visualmente sempre transmitimos algo (ou muita coisa) aos outros, antes mesmo de conversar com as pessoas.
O que acontece - e que o minimalismo questiona bastante - é que o consumo nos leva a adquirir coisas pra transmitir uma imagem determinada, que pode ser de ostentação de marcas caras, de exposição do corpo, de pessoa antenada na moda, de um estilo alternativo, enfim, somos induzidos a adquirir itens que nos levem a projetar a imagem que queremos transmitir aos outros. Eu particularmente acredito que escolher conscientemente a imagem mais condizente com o que queremos transmitir, encontrar um estilo adequado aos ambientes que frequentamos e à nossa personalidade, são uma parte importante de quem nós somos. O problema pra mim está justamente em buscar ser alguém apenas na imagem, priorizar isso em detrimento do mais importante, que é estar com as pessoas, conhecê-las por quem são e mostrar quem somos de verdade.
Muitas vezes acaba se tornando mais importante para as pessoas mostrar o que elas têm do que aquilo que elas são, através da forma como se apresentam ao mundo. É aí que o minimalismo entra para trazer um pouco de lucidez: nós não somos as nossas coisas, nós somos quem somos. Simples assim. A maneira como nos apresentamos é importante, e dependendo do ambiente em que estamos é necessário apresentar-se de determinada maneira. Mas isso é um detalhe de nós, e não a totalidade ou o mais importante de quem somos.

Beijos e até mais!
Vanessa

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Inspiração: Senso de coletivo

Olá!
Hoje eu quero falar de um assunto que eu acho muito importante pra convivência, desde aquela que ocorre com a família e os amigos até a vida em sociedade mesmo. Já falei aqui sobre empatia, e hoje quero falar sobre ter senso de coletivo.
Quantas vezes não vemos no estacionamento do shopping as pessoas estacionando indevidamente em vagas preferenciais ou mesmo em local proibido, comprometendo a circulação dos outros carros, pra não andar 20 ou 30 metros a mais? Quantas vezes não vemos as pessoas reclamarem do atendimento em lojas ou outro tipo de serviço, apesar de tratarem quem presta serviços de forma grosseira e até humilhante? Quantas vezes não vemos pessoas reclamando de abuso de poder nos serviços públicos, que quando podem dão a famosa "carteirada" na entrada do cinema, na fila do banco, na balada...
Não é novidade pra ninguém que o brasileiro é conhecido por sua capacidade de contornar as dificuldades e resolver os problemas de forma pouco convencional. Infelizmente, isso acaba se estendendo para o hábito de "tirar vantagem" pra si mesmo ou, com um fim considerado mais "nobre", para alguém da família ou amigos. O problema é que isso vai gerando uma onda de comportamentos que, se forem reproduzidos por toda uma população, torna a convivência um caos. Quem tira vantagem, inevitavelmente será vítima de alguém que vai tentar fazer a mesma coisa.
Eu costumo dizer que, mesmo com uma intenção egoísta, ainda vale mais pensar no coletivo, pois isso também gera eco, e num determinado momento o benefício volta pra nós. É claro que o contrário também pode acontecer, e você se dar mal várias vezes, mesmo sendo alguém consciente, mas só encontrar gente ignorante por aí.
De qualquer jeito, eu queria que você pensasse, nesse momento de tantos escândalos no nosso país, que o que ocorre na alta cúpula do governo de certa forma reflete parte do comportamento da nossa sociedade. Temos muito o que crescer ainda e não há dúvida que boa parte dos políticos - eleitos por nós - estão buscando tudo, menos uma melhoria social. Talvez precise partir mais de cada um de nós, em cada pequena atitude - o que está ao nosso alcance - colocar esse senso de coletivo em prática. Isso também pode gerar uma onda de comportamentos que se reproduzem e acabam gerando constrangimento a quem não respeita os outros. Tem horas que dá vontade de mandar todo mundo pro espaço (pra dizer o mínimo) e cuidar só do nosso umbiguinho. Por isso, tentar se colocar no lugar dos outros e oferecer aquilo que gostaríamos de receber na convivência talvez possa ajudar coletivamente.

Beijos e ótima semana!
Vanessa

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Projeto Minimalismo #2: Pensando no consumo desnecessário

Olá!
Escolhi o consumismo como assunto dessa semana, porque não é um tema ligado apenas à questão do minimalismo (ou melhor, oposto à ideia de), mas porque vivemos inseridos em um mundo regido pelo consumo. Consumimos água (não apenas in natura, mas também indiretamente através de tudo o que é produzido pelo agronegócio e/ou com energia hidrelétrica), recursos naturais diversos, desde madeira até minérios, em absolutamente TUDO o que adquirimos ou simplesmente para manter nossas casas, equipamentos e veículos funcionando. Quando falamos de consumo, não se trata apenas de ser ecologicamente correto ou "ecochato", como dizem por aí, mas a questão é muito maior. Milhões de empregos são gerados a partir de atividades que degradam o ambiente e que geram resíduos maléficos à nossa saúde. A indústria alimentícia fabrica produtos ricos em gorduras saturadas, conservantes e corantes que fazem muito mal ao organismo cumulativamente, inclusive alguns corantes usados por aqui são proibidos nos países onde estão as sedes dessas fábricas. Pensando pelo lado prático, as empresas só estão começando a se mexer nesse sentido porque a quantidade de processos judiciais, consequência de leis mais rígidas, fiscalização e reclamação das pessoas, tem aumentado muito. Além disso, os movimentos ambientalistas que desde a década de 1960/70 vêm buscando alertar o mundo para as questões ambientais, acabaram criando um nicho de mercado que atraiu muito as empresas e agregou valor a uma enorme variedade de produtos que cada vez mais têm atraído consumidores. Embalagens com menos plástico, alimentos orgânicos que valorizam as comunidades envolvidas na sua produção, reciclagem de materiais, biocombustíveis e novas fontes de energia elétrica têm se tornado cada vez mais presentes. Porém, o foco continua sendo o consumo. Por mais que haja reciclagem, por mais que se busque alternativas, nosso consumo é crescente e em um ritmo que está além da capacidade de reposição do planeta. Agora consumimos, além de coisas, uma ideia, uma ideologia que nos deixa com a consciência mais tranquila, porque é um consumo "do bem".
É óbvio que precisamos consumir e não dá pra negar que a experiência da compra nos dá prazer. Mas acho importante parar pra pensar nisso tudo, senão entramos naquela onda de escovar os dentes com a torneira fechada e comprar um monte de roupas, que em seu processo produtivo consomem milhares de litros de água.
Na busca por um estilo de vida mais simples e menos consumista, tenho me deparado com essas questões e com a forma agressiva como somos induzidos a consumir para sermos felizes, quando na verdade somo mais uma peça na engrenagem que precisa funcionar: produzir, vender, descartar, em um ciclo que está na base do funcionamento da esmagadora maioria das sociedades humanas.
É essa a reflexão que eu queria deixar hoje, porque acredito que quem se interessa pelo minimalismo já sabe que um dos seus princípios é ter menos coisas e priorizar qualidade ao invés de quantidade, por vários motivos que ainda vamos conversar aqui. Mas achei importante levantar esse outro lado da discussão também. Novas formas de uso da natureza estão surgindo, diminuindo a pressão exercida sobre os recursos naturais, porém o consumo continua sustentando esse sistema. E eu acredito que o minimalismo pode ser uma forma de problematizar tudo isso e buscar alternativas eficazes e coerentes para um mundo que não pode continuar produzindo, consumindo e descartando no ritmo frenético de hoje.
Beijos pra vocês e até!
Vanessa