quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Projeto Minimalismo #2: Pensando no consumo desnecessário

Olá!
Escolhi o consumismo como assunto dessa semana, porque não é um tema ligado apenas à questão do minimalismo (ou melhor, oposto à ideia de), mas porque vivemos inseridos em um mundo regido pelo consumo. Consumimos água (não apenas in natura, mas também indiretamente através de tudo o que é produzido pelo agronegócio e/ou com energia hidrelétrica), recursos naturais diversos, desde madeira até minérios, em absolutamente TUDO o que adquirimos ou simplesmente para manter nossas casas, equipamentos e veículos funcionando. Quando falamos de consumo, não se trata apenas de ser ecologicamente correto ou "ecochato", como dizem por aí, mas a questão é muito maior. Milhões de empregos são gerados a partir de atividades que degradam o ambiente e que geram resíduos maléficos à nossa saúde. A indústria alimentícia fabrica produtos ricos em gorduras saturadas, conservantes e corantes que fazem muito mal ao organismo cumulativamente, inclusive alguns corantes usados por aqui são proibidos nos países onde estão as sedes dessas fábricas. Pensando pelo lado prático, as empresas só estão começando a se mexer nesse sentido porque a quantidade de processos judiciais, consequência de leis mais rígidas, fiscalização e reclamação das pessoas, tem aumentado muito. Além disso, os movimentos ambientalistas que desde a década de 1960/70 vêm buscando alertar o mundo para as questões ambientais, acabaram criando um nicho de mercado que atraiu muito as empresas e agregou valor a uma enorme variedade de produtos que cada vez mais têm atraído consumidores. Embalagens com menos plástico, alimentos orgânicos que valorizam as comunidades envolvidas na sua produção, reciclagem de materiais, biocombustíveis e novas fontes de energia elétrica têm se tornado cada vez mais presentes. Porém, o foco continua sendo o consumo. Por mais que haja reciclagem, por mais que se busque alternativas, nosso consumo é crescente e em um ritmo que está além da capacidade de reposição do planeta. Agora consumimos, além de coisas, uma ideia, uma ideologia que nos deixa com a consciência mais tranquila, porque é um consumo "do bem".
É óbvio que precisamos consumir e não dá pra negar que a experiência da compra nos dá prazer. Mas acho importante parar pra pensar nisso tudo, senão entramos naquela onda de escovar os dentes com a torneira fechada e comprar um monte de roupas, que em seu processo produtivo consomem milhares de litros de água.
Na busca por um estilo de vida mais simples e menos consumista, tenho me deparado com essas questões e com a forma agressiva como somos induzidos a consumir para sermos felizes, quando na verdade somo mais uma peça na engrenagem que precisa funcionar: produzir, vender, descartar, em um ciclo que está na base do funcionamento da esmagadora maioria das sociedades humanas.
É essa a reflexão que eu queria deixar hoje, porque acredito que quem se interessa pelo minimalismo já sabe que um dos seus princípios é ter menos coisas e priorizar qualidade ao invés de quantidade, por vários motivos que ainda vamos conversar aqui. Mas achei importante levantar esse outro lado da discussão também. Novas formas de uso da natureza estão surgindo, diminuindo a pressão exercida sobre os recursos naturais, porém o consumo continua sustentando esse sistema. E eu acredito que o minimalismo pode ser uma forma de problematizar tudo isso e buscar alternativas eficazes e coerentes para um mundo que não pode continuar produzindo, consumindo e descartando no ritmo frenético de hoje.
Beijos pra vocês e até!
Vanessa

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