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domingo, 13 de agosto de 2017

Vídeo: #2 Como me organizo para estudar para concursos

    Oi, pessoal!

    Como tinha combinado com vocês no post anterior, segue a sequência do vídeo com algumas dicas práticas pra quem está se preparando para concursos e outras provas.

    Nessa segunda parte sugiro algumas coisas mais específicas, que vou listar aqui e explico no vídeo também.

    No caso da prova que eu vou fazer, são três as áreas do conhecimento que caem na primeira fase do concurso: Língua PortuguesaLegislação referente à área de Educação e Conhecimentos Pedagógicos (teorias, metodologias de ensino etc). Como eu não vou ter tempo hábil para estudar tudo isso, vou me concentrar mais nas áreas que conheço menos e, dentro das áreas exigidas, naquilo que tenho mais dificuldade. Pra exemplificar:

- Geralmente vou bem em Português, mas com a nova regra ortográfica tenho algumas dúvidas, então a nova ortografia será um dos meus focos.

- A legislação de Educação é vasta e tem detalhes que eu desconheço, então vou baixar as leis e ler, destacando o que eu achar mais importante. No celular ou tablet também vou salvar, pra sempre que der um tempo eu voltar lá e dar uma olhada. Quando se trata de leis, se a prova não tiver esse assunto como foco central (cargos de advogado, fiscal e outros do tipo exigem muito mais sobre leis, o que não é o caso aqui), dê aquela estudada geral. Eu, por exemplo, vou me concentrar mais na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) e no ECA (Estatuto da Criança e Adolescente), que são centrais na minha área de atuação. O restante não vou priorizar e vou estudando conforme der.

- A parte de conhecimentos pedagógicos pra mim é a mais irritante, pois muitos autores pintam o magistério como uma coisa linda e perfeita, com resultados previsíveis se você seguir as teorias, mas muitos deles nunca pisaram numa sala de aula da Educação Básica (da Ed. Infantil ao Ensino Médio). Então, mesmo torcendo o nariz vou buscar referências desses autores na internet e suas ideias principais, já que será inviável ler seus livros. Em muitos casos, mesmo discordando de suas ideias, vou ter que conhecê-las e responder na prova o que os avaliadores "querem ouvir", sabe como é né...

    Você pode estudar usando técnicas como a Pomodoro (clique aqui e assista ao vídeo que gravei sobre essa técnica) pra conseguir focar melhor e evitar distrações durante seus estudos).

    Em linhas gerais é assim que me organizo. É importante você adaptar os assuntos que irá estudar ao tempo disponível que você tem e ao prazo até a data da prova. Não adianta ter seis meses pra estudar e não rever ao longo do tempo os conteúdos estudados no primeiro mês, por exemplo. Essa parte vai depender dos pormenores cabíveis à sua realidade. Muitas vezes, acaba sendo mais vantajoso fazer um curso preparatório, caso haja muitos conteúdos complexos ou variados e um prazo longo até a prova. Nunca fiz cursos pra concursos, exceto quando fiz vestibulinho pra curso técnico (e não fui aprovada justamente porque não estudava o suficiente em casa), então nessa parte não tenho muita experiência pra orientar vocês.

    Esse concurso que vou fazer tem mais duas etapas antes da classificação final dos candidatos, que são comuns também em outros processos seletivos, até mesmo em empresas privadas:

Prova de títulos e análise dos requisitos mínimos
    Já separe todos os seus certificados, não só de graduação, mestrado, doutorado, mas cursos de especialização, extensão universitária, trabalho voluntário e cartas de indicação se for o caso. Muitas vezes deixamos isso pra última hora, e se você não encontrar algum documento desse tipo pode perder pontos importantes na classificação, simplesmente porque não terá tempo de pedir segunda via. Por isso é bom ter sempre essa documentação arquivada corretamente e se possível digitalizada também.

Aula teste e entrevistas/dinâmicas de grupo
    Se você tiver ideia dos assuntos abordados (no caso de uma aula teste) vá estudando todos eles, reforçando sempre o que você tem mais dificuldade e aprimorando aquilo em que você for melhor. Muitas escolas e institutos educacionais dão algumas opções de assunto e sorteiam um na hora da aula teste. É legal apresentar informações interessantes e sair do que seria uma aula comum. Afinal, é sua oportunidade de mostrar porque você merece a vaga. Manter-se dentro do tempo estabelecido também é crucial. No caso de uma entrevista, cuidado com os clichês. É importante mostrar confiança e segurança, mesmo que você mostre discordar de algum ponto colocado pelos entrevistadores. Nas entrevistas que eu já fiz, procurei sempre mostrar no que me diferencio dos demais, sem sair muito da linha mas também sem me preocupar em fazer o que todo mundo faz (em dinâmicas de grupo isso também é muito válido). Respostas previsíveis como "Meu defeito é ser perfeccionista" já não colam há muito tempo.
    Pra quem é professor, esse tipo de entrevista (comum nas escolas particulares) visa saber muitas vezes se você tem jogo de cintura pra lidar com a indisciplina dos alunos. Escolas particulares precisam lucrar, e pra isso muitas vezes terão um número elevado de alunos (já dei aula pra mais de 40 alunos numa sala de 8º ano em uma escola particular), ainda mais no período de crise em que estamos. Quanto mais elitista for a escola, a tendência é haver menos alunos por sala (o que reflete diretamente na qualidade da aprendizagem), mas por outro lado o professor é muito exigido e precisa saber lidar com os "alunos clientes" e seus pais, que muitas vezes não são pessoas fáceis.

    Uma última dica: não despreze o seu conhecimento prático.
    Questões mais elaboradas e técnicas poderão citar autores que você não conhece, mas a prática na sua área de atuação pode ajudar a localizar/formular a resposta correta. É o famoso "bom senso", que devemos usar quando tecnicamente não temos certeza da resposta mais adequada. Em questões de múltipla escolha, o melhor é deixar as mais difíceis para o final e depois ir descartando as opções nitidamente erradas, até deixar duas ou três para então pensar bem e optar pela que você achar correta.

    Espero que seja útil pra você!



Beijo grande gente!
Vanessa

sábado, 12 de agosto de 2017

Vídeo: #1 Como me organizo para estudar para concursos

    Oi, pessoal!

    Me inscrevi em um concurso para o cargo de tutora de ensino à distância. Como faz tempo que não faço uma prova desse tipo e já recebi dúvidas sobre esse assunto, resolvi aproveitar pra gravar um vídeo com algumas dicas para quem está na mesma situação. 

    Quero esclarecer que me inscrevi nessa prova mais pra dar uma "treinada", já que não faço concurso há uns anos. Minha rotina é corrida e caso seja aprovada terei provavelmente que abrir mão de uma das minhas ocupações atuais, então não vou ter uma rotina intensa de estudos. Por isso, serão dicas gerais de como eu seleciono os assuntos por quantidade de informações, nível de dificuldade e ordem de prioridade, já que o tempo para eu estudar será reduzido. Se você também não dispõe de muito tempo e quer agilizar a vida, acredito que poderá te ajudar. Se você tiver mais tempo, aproveite! É só adaptar à sua realidade.

    Primeiro algumas dicas gerais já meio batidas, mas que vejo muita gente quebrar a cara porque não faz:

    1. Ler TODO o edital, atentando para os prazos de inscrição, pagamento (ou isenção, se for o caso), materiais e documentos que devem ser levados no dia da prova.
ATENÇÃO: algumas empresas organizadoras de concursos exigem que o candidato use caneta que tenha a parte externa transparente (neura de evitar fraude), eu já vi gente que precisou contar com a solidariedade dos concorrentes e pegar caneta emprestada no momento da prova, porque não leu o edital com atenção. Sempre tem um filhodeDeusdebomcoração, mas eu prefiro não ter esse tipo de emoção na hora da prova.
    2. Todo mundo sabe, mas não custa repetir: os concursos em geral são aos domingos. Portanto, se você depende de transporte público já sabe que a frequência nesses dias é menor e que a procura será maior. Se vai com seu carro, já sabe também que várias outras pessoas irão para o mesmo lugar e haverá trânsito. Saia com antecedência, é melhor chegar antes e esperar do que perder a prova. Se o local de prova for na sua cidade e não for uma região que você conhece bem, é bom ir uns dias antes pra conhecer o caminho, saber as linhas de ônibus que passam por ali, se tem lugar pra estacionar ou, se for um lugar meio perigoso, se é o caso de alguém levar você ou ir de Uber. Acredite, isso garante muita tranquilidade no dia da prova.
    3. Revise materiais, documentos, água e lanche antes de sair de casa. Uma dica de economia: é melhor levar seu lanche e sua água, pois geralmente os que são vendidos nos locais de prova são bem caros.
    4. Durma bem e evite excessos na noite anterior, principalmente se a prova estiver agendada para o período da manhã. Esse também não é um bom momento pra você se jogar naquela feijoada top, porque ela trará consequências para a sua concentração que poderão não ser as mais desejadas.
    5. Atente para o calendário do concurso, fases (se tiver mais do que uma) e publicações importantes. Muitos concursos têm a prova objetiva como primeira fase e depois outras provas, como análise de títulos, exame psicológico, aula teste. É importante estar a par das datas e se preparar para as exigências de cada fase.
    6. Pode parecer uma atitude insana, mas procure vários concursos na sua região dentro da mesma área. O tempo e esforço mobilizados para estudar devem ser aproveitados ao máximo, buscando a maior quantidade possível de oportunidades dentro dos mesmos assuntos de prova. Tive uma época em que fiz vários concursos em um período de poucos meses (teve um mês em que eu fiz provas nos quatro domingos consecutivos). É desgastante, mas ajuda de duas formas: te dá experiência e tranquilidade na logística toda do processo, além de aumentar suas possibilidades e aproveitar o conhecimento para várias provas. Muitas vezes, um assunto abordado em uma prova te ajuda a responder questões semelhantes na prova seguinte.

    Como o vídeo completo ficou meio longo, dividi em duas partes e o vídeo com as dicas mais específicas de como se organizar para estudar virá em um outro post (logo publico aqui).

No vídeo esclareço mais o que está nesse post:



Espero ter ajudado, ótimos estudos pra você e até mais!
Vanessa




quinta-feira, 21 de abril de 2016

Os professores e a rejeição dos alunos

Olá! Tudo bem?

Eu ouvi uma vez:

O difícil de ser professor é que você lida com a rejeição o tempo todo.

Essa frase me fez pensar muito e sempre me lembro dela, principalmente quando tenho algum embate com meus alunos. O que em determinadas turmas ocorre, infelizmente, com mais frequência do que eu gostaria.
Se nos lembrarmos da época da escola, certamente teremos a memória de que preferíamos fazer milhões de outras coisas mais legais do que estudar. Andar de bicicleta, assistir TV, sair com os amigos, brincar com o cachorro, enfim, havia uma série de outras coisas que nos davam mais prazer do que fazer o dever de casa, por exemplo. Mesmo assim, a maioria de nós cumpria o mínimo para tirar notas razoáveis e ir bem na escola. Me lembro de professores que me cativavam, mesmo se eu não gostasse tanto da matéria, e de outros que eu não gostava, não "ia com a cara" mesmo, como se diz.
Agora, na posição de professora, por vezes fico muito chateada com atitudes de alunos meus com 11, 12, 13 anos de idade, que fazem questão de demonstrar que não veem autoridade em mim, que não consideram o que eu digo importante e que não se sentem constrangidos com isso. Muitas coisas estão envolvidas aí, tendo em vista que todo professor é também uma pessoa que tem seus problemas pra resolver, suas inseguranças e frustrações, que somados ao cansaço do dia a dia podem abalar bastante o nosso emocional. Eu vejo essa situação toda por dois ângulos, que queria comentar com vocês:

1 - Uma nova geração que chega às escolas
Uma coisa que acontece muito na escola pública, e em menor intensidade também se dá em escolas particulares, tendo em vista a recente ascensão de classes populares a padrões de consumo mais elevados, é que muitas famílias em que os pais não estudaram muito além da alfabetização estão tendo a possibilidade de manter seus filhos na escola até a conclusão do Ensino Fundamental (antigo ginásio) e em menor quantidade até se formarem no Ensino Médio (antigo colegial) e Superior. A chamada universalização da educação básica - feita no Brasil mais no papel do que de fato - apesar de seus graves problemas está possibilitando a permanência de adolescentes na escola que, em outras épocas, ou ainda hoje em regiões mais pobres do país, teriam que parar de estudar para trabalhar e ajudar a família. Muitas dessas famílias reconhecem a importância do estudo mas não conhecem as rotinas necessárias à aprendizagem: estudar em casa, ler, aprender a manter o foco em uma atividade por vez, desenvolver senso crítico. Atendo muitos pais que reconhecem a importância de o filho estar na escola, mas que em casa não direcionam as atividades que o estudo requer. Nessa situação, é difícil mostrar a esses alunos o grau de responsabilidade que precisam desenvolver para estudar, ou mesmo por que devem estudar, se de um jeito ou de outro seus pais se viraram com pouco estudo. Em muitas situações ainda, os alunos dizem: "Professor, mas você estudou tanto e ganha pouco!" - o que é verdade.

2 - Tem também uma frase muito batida sobre a escola, que eu particularmente não gosto muito, mas que tem também sua parcela de verdade: "A escola é do século XIX, o professor é do século XX e o aluno é do século XXI". A escola de hoje é uniformizante, quase sempre funciona nos moldes de antigamente e o professor ainda tem que concorrer com as novas tecnologias, que colocam à nossa disposição uma infinidade de informações, mas percebo que meus alunos não conseguem absorver quase nada de tudo isso. É tudo muito imediato e passageiro, eles não internalizam conceitos para formular suas próprias ideias e questionamentos, o que é desastroso para o ensino.

No meu dia a dia sempre me deparo com essa "rejeição sem causa" dos alunos, e tenho pensado muito nessas duas questões que coloquei. Diante desses enormes desafios e dos demais que vêm a reboque com eles, acho que é importante considerar alguns eixos de ação para tentar conquistar o aluno:
a) Criar afeto pelo estudo, pela escola, por aprender. Mostrar que eles todos podem aprender. Em turmas muito terríveis, eu tenho colocado os alunos que dão mais trabalho pertinho de mim. Isso causa um certo constrangimento também, mas por outro lado eles se sentem importantes (alguns são beeem carentes) e começam a fazer direito as atividades.
b) Tentar não se deixar levar pela imaturidade dos alunos. Mostrar que eles prejudicam meu trabalho quando agem mal, quando não têm disciplina, e que perdem muito com isso porque não consigo fazer coisas diferentes pra eles aprenderem mais.
c) Aproximar a família. Quando tenho muita dificuldade com algum aluno e/ou sei que a família é presente e se importa, busco formar uma parceria com os responsáveis, pra que o aluno veja que ele não terá muita escapatória: os pais e a escola estão falando a mesma língua e juntos irão cobrar dele a sua parte.

Eu digo por experiência própria que esse lance da rejeição afeta bastante, hoje menos do que antes, mas eu me apego às pessoas, gosto de criar vínculo e de ter um ambiente colaborativo onde vejo meu trabalho render. Por outro lado, sou também sistemática e perco a paciência quando tenho que insistir muito em determinadas situações. O que tem ajudado é tentar ver meus alunos mais como crianças muitas vezes meio perdidas e até desamparadas, que precisam de foco e orientação, e menos como pessoas determinadas a me irritar...rsrsrs Pode parecer meio neurótico isso, mas a gente esquece mesmo que eles são apenas crianças e que ainda não têm noção de muita coisa, que inclusive o trabalho do professor  pode ajudar a desenvolver.

E você, convive ou trabalha com adolescentes? Passa por perrengues que nem eu?! Me conta o que faz pra contornar as situações difíceis!

Beijo grande!
Vanessa

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Como professora, aprendi que não vou salvar o mundo

Olá, minha gente! Hoje quero falar sobre algo que acontece com muitos professores recém-formados, que eu resolvi chamar de síndrome do professor salvador... KKKK

Quando um aluno de licenciatura se forma e segue a carreira de professor, é muito comum idealizar como serão suas aulas, pensando em conquistar todos os alunos e seduzir suas mentes através do conhecimento. Comigo pelo menos foi assim, e acho que isso faz parte da profissão, assim como de outras áreas de atuação: queremos fazer o melhor e contribuir para os melhores resultados. Infelizmente, na prática a teoria é outra né... Primeiro percebemos alguns alunos que não se interessam e pra quem estudar não tem valor nenhum. Depois, o acúmulo de atividades e o trabalho que temos que levar pra casa, o cansaço do dia a dia, sem falar no salário baixo... Tudo isso parece que vai minando nossas forças e pode nos levar ao raciocínio extremamente oposto: "a educação não tem mais jeito", "essa juventude está perdida" e outras frases que muitas vezes ouvimos de professores mais velhos no nosso estágio, torcendo o nariz pra "esse pessoal chato que não gosta de dar aula". Eu me vi em várias situações como essa, em que parecia que nada do que eu fizesse em sala de aula traria algum resultado. Pelo contrário, muitas vezes tive, e ainda tenho, a sensação de que estou na sala de aula apenas para conter adolescentes que, do contrário, estariam na rua "aprendendo coisa errada". Toda essa frustração me ajudou, porém, a enxergar que

Eu não vou salvar o mundo!

Parece óbvio, mas quem é professor sabe que a gente se sente na obrigação de fazer algo que mude a vida dos nossos alunos pra melhor, e que quando eles não aprendem nos sentimos responsáveis pelo fracasso. Mas hoje eu compreendo que existe uma série de variáveis envolvidas na formação dessas pessoinhas, além do meu trabalho, e sobre as quais eu não tenho nenhum controle. Então, a escola pode lançar mão de algumas estratégias, como chamar a responsabilidade da família, estabelecer rotinas, mostrar que certos comportamentos são inaceitáveis e valorizar o que os alunos fazem de bom. Mas, infelizmente, muitas crianças e adolescentes hoje vivem realidades que competem com a escola, principalmente na escola pública, que não pode selecionar os alunos que recebe e que atende à população menos favorecida financeiramente. Para muitos alunos, o mundo do crime é extremamente atrativo pelos ganhos e pelo status, o estudo não tem valor dentro das famílias, além de a escola estar presente na vida deles poucas horas por dia. Dependendo da situação, o aluno precisa muito mais de atenção e carinho - que não teve em casa - do que da matéria que temos que ensinar.
Não digo isso tudo num tom derrotista, pelo contrário. Pensar dessa forma me deu mais tranquilidade pra conhecer cada aluno e tentar saber as suas reais necessidades e possibilidades, saber avaliá-lo em comparação com ele mesmo ao longo do tempo, por exemplo. Saber que acolhê-lo é tão importante quanto exigir que ele aprenda a matéria, faça lição de casa e estude pra prova. Nada disso terá resultado se ele não tiver afeto pela escola. E mesmo com tudo isso, não é garantido que eu vá conseguir que ele aprenda o mínimo de que precisa. Mas o que estiver além das minhas possibilidades não posso controlar. Tenho aprendido que a Educação é um trabalho de formiguinha, diário, que talvez só dê frutos depois de vários anos, quando meus alunos já tiverem saído da minha vida. Então, não tenho mais a pretensão de salvar o mundo, mas se eu puder salvar um pedacinho do mundo dos meus alunos, já será uma grande conquista.

E você, que angústias sente na sua profissão? Comenta aí que eu quero saber!
Beijo no <3!
Vanessa



quinta-feira, 24 de março de 2016

Dica para professores: aplicação de atividades no 6º ano

Oi, tudo bem por aí?

Hoje estou começando uma série de posts sobre a minha profissão, e que talvez ajudem não apenas quem é professor(a) como eu, mas outras pessoas que trabalhem com crianças e jovens ou que lidem com gente em geral. Espero que esses novos conteúdos sejam úteis pra vocês! Me digam depois nos comentários o que acharam e indiquem também outros assuntos que gostariam de ver aqui no blog.

Bom, vamos ao que interessa: hoje vou dar uma dica sobre como lido com alunos de 6º ano, na faixa de 10 a 12 anos de idade, mais ou menos. Tenho percebido que, apesar das crianças de hoje serem muito precoces, muitos dos meus aluninhos nessa faixa etária não têm muita autonomia com material escolar, organização de atividades ou do espaço do caderno, e se sentem inseguros quando dou orientações gerais de como realizar alguma atividade ou trabalho. O 6º ano é um período de transição entre o Ensino Fundamental I e II, uma fase de mudança na quantidade de professores, que em geral aumenta para oito disciplinas, e não há mais a referência daquela professora da sala, que fica mais tempo com a turma. Nessa fase, eu percebo que a maioria dos meus alunos perde um pouco a referência, ou "adota" um dos professores especialistas como referência nas atividades.

Já perdi a paciência inúmeras vezes com alunos de 6º ano por não compreender bem que essa imaturidade faz parte da idade deles, e percebi que esse deve ser um momento de aumentar a autonomia dos meus alunos, dando estrutura para que eles possam aprender a "se virar" melhor sozinhos. De forma prática, isso não irá acontecer de uma hora pra outra, então a minha dica nesse momento é: dividir as atividades em etapas menores. Não de forma totalmente mastigada, que eles não tenham que pensar um pouco sobre a melhor maneira de fazer, mas também não muito genérica, que possam ficar perdidos sem saber por onde começar. Por exemplo: essa semana meus alunos fizeram um trabalho em grupo na aula e eu disse a todos o que seria feito. Mas como eles não sabiam direito que sequência seguir, escrevi uma parte das instruções na lousa - o que era mais literal por assim dizer - e fui passando nos grupos e dando as instruções mais específicas/complexas.

Ao elaborar uma atividade (principalmente se for mais longa), não adianta dar todo o passo a passo de uma vez e esperar que eles se lembrem de tudo na ordem, como acontece com adolescentes mais velhos ou mesmo adultos. Os menores não conseguem armazenar todas as instruções de uma vez, porque não estão muito acostumados com as sequências de atividades que alunos mais velhos já têm noção. O que pra nós segue uma linha de raciocínio bastante lógica, pra eles é um monte de coisa que a gente falou e dali a 30 segundos não vão mais se lembrar. Então, a solução que eu encontrei pra isso foi:

1 - Ser bem específica na parte mais formal da atividade (título do trabalho, preenchimento de capa e montagem etc, nesse caso que estou citando aqui), descrevendo os detalhes se possível por escrito;

2 - Explicar cada fase da atividade e esperar que concluam aquela parte (ou no máximo duas etapas curtas), para então partir para a próxima etapa;

3 - Esperar pelas dúvidas, que surgirão mesmo se eu tiver acabado de explicar o que deve ser feito. Nesse momento, podem surgir ideias diferentes pra fazer a mesma coisa, e é um ótimo momento pra dar autonomia aos alunos, para que façam do jeito deles, sempre que possível.

Se esse tipo de situação faz parte do seu trabalho, ou se você convive com crianças e adolescentes, me conta o que achou e compartilhe também as suas dicas nos comentários.

Um grande beijo e até!
Vanessa

sexta-feira, 4 de março de 2016

Check list de março - para professores (ou não!)

Olá, minha gente!!!
Mês começando e eu vim compartilhar meu check list de março com vocês. Tem algumas coisas específicas da minha área de atuação, mas estou considerando também outras metas para esse mês. Então, vamos ao que interessa. Meu março não pode acabar sem esses itens feitos:

  1. Fazer a declaração de Imposto de Renda;
  2. Montar programação de posts e vídeos para o blog/canal;
  3. Me organizar para fazer exercícios físicos nos horários vagos;
  4. Corrigir as avaliações diagnósticas e providenciar materiais diversificados aos alunos com maior dificuldade;
  5. Preparar e aplicar as provas mensais;
  6. Providenciar projetos/atividades para datas importantes do mês (Dia Internacional da Mulher).
É isso, espero que eu dê conta de tudo!

Beijos e até mais!!!
Vanessa

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Para professores - check list de fevereiro

Olá, pessoal!

Nesses últimos dias eu estou preparando materiais e as minhas aulas da semana, que onde trabalho começaram pra valer ontem (15/02). Fiz uma lista de itens que preciso providenciar esse mês, para as duas escolas onde trabalho. Como estou organizando minhas tarefas em calendários semanais e tentando prever e programar datas importantes e atividades com antecedência, resolvi fazer um check list mensal com as tarefas relacionadas ao trabalho. E decidi compartilhar com vocês.
Lembrando que essa lista é mais voltada a professores, mas você pode incluir nela os itens que quiser, de acordo com as datas e prazos que a sua atividade profissional exigir. O mesmo vale para tarefas pessoais, consultas médicas a serem marcadas, pendências na escola dos filhos etc.
Achei bem bom fazer isso, porque dá uma visão de todo e ajuda a encaixar o que precisa ser feito nos prazos disponíveis, reduzido as chances de a gente ser pego de surpresa por alguma urgência referente a algo que esquecemos que tínhamos que providenciar.

Então, meu check list "professoral" de fevereiro é:

  1. Entregar planejamento anual com os principais conteúdos, competências e habilidades a serem trabalhados por bimestre/trimestre, além dos métodos de trabalho e avaliação;
  2. Planejar projetos curriculares e extracurriculares para as turmas desse ano (no meu caso, tenho em 2016 turmas de sexto, sétimo e oitavo ano do Ensino Fundamental II e 1º e 2º termo da EJA (Educação de Jovens e Adultos);
  3. Escolher e agendar estudos do meio (alguns lugares são bem concorridos e é preciso agendar com antecedência, e pra dar tempo de enviar autorização aos pais e agendar transporte também);
  4. Marcar provas mensais e trabalhos do bimestre/trimestre;
  5. Elaborar e aplicar avaliação diagnóstica para as turmas novas;
  6. Verificar calendário do bimestre/trimestre e selecionar datas importantes para atividades interdisciplinares e/ou sobre temas transversais.

Todo início de mês vou elaborar uma lista como essa, espero que seja útil pra vocês, se não os itens, a dica de se programar dentro das suas atividades.

Me conta aí nos comentários o que você sugere pra essa lista ou outras dicas de organização e gestão do tempo, vou gostar muito de saber!

Beijo grande,
Vanessa.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Vídeo: por que é importante planejar aulas, treinamentos e apresentações?

Olá, olá! Tudo bem?

Muita gente pensa que quem estudou pra ser professor chega na escola e, do nada, se inspira e dá uma aula completa sem precisar pensar nos assuntos previamente. Tem gente ainda que considera que dar aula é diferente de trabalhar (se você é professor(a), fala aí se já não ouviu aquela história de gente que pergunta: "Mas.... você trabalha ou só dá aula?"). Pra mim isso é um pouco folclórico, mas acredito sim que a maioria das pessoas não tem noção de como é importante - e trabalhoso - planejar aulas. Talvez porque acreditem que depois de fazer 4 ou 5 anos de faculdade o professor já saiba tudo, ou pelo fato de ter sempre livros didáticos ou apostilas à mão. Pois se você também pensa assim, saiba que as disciplinas na faculdade são muito mais acadêmicas do que voltadas à educação básica. Tirando algumas exceções, é muito comum terminar a licenciatura e ter que estudar muito pra dar aulas. E não é porque a faculdade é ruim não, o que acontece é que muitas delas tem um foco maior na pesquisa e não conseguem estruturar uma formação de professores mais completa. No caso do livro didático, apesar de ser um recurso importante, ele não dá aula pelo professor, e sem conhecimento do que está ali pode inclusive atrapalhar mais do que ajudar...
Pensando em tudo isso e depois de ouvir muitos professores dizerem que não preparam aulas, resolvi fazer esse vídeo explicando porque eu acredito que preparar e planejar aulas é sim muito importante, pra termos um bom resultado na sala de aula.
Vale mencionar ainda que isso vale para quem trabalha com treinamento/recrutamento de pessoas, montagem de apresentações, palestras e demais atividades que envolvam exposição de algum tipo de conteúdo. Portanto, não se trata de um assunto exclusivo da educação escolar, mas de uma forma de comunicação mais efetiva em várias áreas profissionais.

Então, clica aí e vem comigo!