Olá, minha gente! Hoje quero falar sobre algo que acontece com muitos professores recém-formados, que eu resolvi chamar de síndrome do professor salvador... KKKK
Quando um aluno de licenciatura se forma e segue a carreira de professor, é muito comum idealizar como serão suas aulas, pensando em conquistar todos os alunos e seduzir suas mentes através do conhecimento. Comigo pelo menos foi assim, e acho que isso faz parte da profissão, assim como de outras áreas de atuação: queremos fazer o melhor e contribuir para os melhores resultados. Infelizmente, na prática a teoria é outra né... Primeiro percebemos alguns alunos que não se interessam e pra quem estudar não tem valor nenhum. Depois, o acúmulo de atividades e o trabalho que temos que levar pra casa, o cansaço do dia a dia, sem falar no salário baixo... Tudo isso parece que vai minando nossas forças e pode nos levar ao raciocínio extremamente oposto: "a educação não tem mais jeito", "essa juventude está perdida" e outras frases que muitas vezes ouvimos de professores mais velhos no nosso estágio, torcendo o nariz pra "esse pessoal chato que não gosta de dar aula". Eu me vi em várias situações como essa, em que parecia que nada do que eu fizesse em sala de aula traria algum resultado. Pelo contrário, muitas vezes tive, e ainda tenho, a sensação de que estou na sala de aula apenas para conter adolescentes que, do contrário, estariam na rua "aprendendo coisa errada". Toda essa frustração me ajudou, porém, a enxergar que
Eu não vou salvar o mundo!
Parece óbvio, mas quem é professor sabe que a gente se sente na obrigação de fazer algo que mude a vida dos nossos alunos pra melhor, e que quando eles não aprendem nos sentimos responsáveis pelo fracasso. Mas hoje eu compreendo que existe uma série de variáveis envolvidas na formação dessas pessoinhas, além do meu trabalho, e sobre as quais eu não tenho nenhum controle. Então, a escola pode lançar mão de algumas estratégias, como chamar a responsabilidade da família, estabelecer rotinas, mostrar que certos comportamentos são inaceitáveis e valorizar o que os alunos fazem de bom. Mas, infelizmente, muitas crianças e adolescentes hoje vivem realidades que competem com a escola, principalmente na escola pública, que não pode selecionar os alunos que recebe e que atende à população menos favorecida financeiramente. Para muitos alunos, o mundo do crime é extremamente atrativo pelos ganhos e pelo status, o estudo não tem valor dentro das famílias, além de a escola estar presente na vida deles poucas horas por dia. Dependendo da situação, o aluno precisa muito mais de atenção e carinho - que não teve em casa - do que da matéria que temos que ensinar.
Não digo isso tudo num tom derrotista, pelo contrário. Pensar dessa forma me deu mais tranquilidade pra conhecer cada aluno e tentar saber as suas reais necessidades e possibilidades, saber avaliá-lo em comparação com ele mesmo ao longo do tempo, por exemplo. Saber que acolhê-lo é tão importante quanto exigir que ele aprenda a matéria, faça lição de casa e estude pra prova. Nada disso terá resultado se ele não tiver afeto pela escola. E mesmo com tudo isso, não é garantido que eu vá conseguir que ele aprenda o mínimo de que precisa. Mas o que estiver além das minhas possibilidades não posso controlar. Tenho aprendido que a Educação é um trabalho de formiguinha, diário, que talvez só dê frutos depois de vários anos, quando meus alunos já tiverem saído da minha vida. Então, não tenho mais a pretensão de salvar o mundo, mas se eu puder salvar um pedacinho do mundo dos meus alunos, já será uma grande conquista.
E você, que angústias sente na sua profissão? Comenta aí que eu quero saber!
Beijo no <3!
Vanessa
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