quinta-feira, 24 de março de 2016

Dica para professores: aplicação de atividades no 6º ano

Oi, tudo bem por aí?

Hoje estou começando uma série de posts sobre a minha profissão, e que talvez ajudem não apenas quem é professor(a) como eu, mas outras pessoas que trabalhem com crianças e jovens ou que lidem com gente em geral. Espero que esses novos conteúdos sejam úteis pra vocês! Me digam depois nos comentários o que acharam e indiquem também outros assuntos que gostariam de ver aqui no blog.

Bom, vamos ao que interessa: hoje vou dar uma dica sobre como lido com alunos de 6º ano, na faixa de 10 a 12 anos de idade, mais ou menos. Tenho percebido que, apesar das crianças de hoje serem muito precoces, muitos dos meus aluninhos nessa faixa etária não têm muita autonomia com material escolar, organização de atividades ou do espaço do caderno, e se sentem inseguros quando dou orientações gerais de como realizar alguma atividade ou trabalho. O 6º ano é um período de transição entre o Ensino Fundamental I e II, uma fase de mudança na quantidade de professores, que em geral aumenta para oito disciplinas, e não há mais a referência daquela professora da sala, que fica mais tempo com a turma. Nessa fase, eu percebo que a maioria dos meus alunos perde um pouco a referência, ou "adota" um dos professores especialistas como referência nas atividades.

Já perdi a paciência inúmeras vezes com alunos de 6º ano por não compreender bem que essa imaturidade faz parte da idade deles, e percebi que esse deve ser um momento de aumentar a autonomia dos meus alunos, dando estrutura para que eles possam aprender a "se virar" melhor sozinhos. De forma prática, isso não irá acontecer de uma hora pra outra, então a minha dica nesse momento é: dividir as atividades em etapas menores. Não de forma totalmente mastigada, que eles não tenham que pensar um pouco sobre a melhor maneira de fazer, mas também não muito genérica, que possam ficar perdidos sem saber por onde começar. Por exemplo: essa semana meus alunos fizeram um trabalho em grupo na aula e eu disse a todos o que seria feito. Mas como eles não sabiam direito que sequência seguir, escrevi uma parte das instruções na lousa - o que era mais literal por assim dizer - e fui passando nos grupos e dando as instruções mais específicas/complexas.

Ao elaborar uma atividade (principalmente se for mais longa), não adianta dar todo o passo a passo de uma vez e esperar que eles se lembrem de tudo na ordem, como acontece com adolescentes mais velhos ou mesmo adultos. Os menores não conseguem armazenar todas as instruções de uma vez, porque não estão muito acostumados com as sequências de atividades que alunos mais velhos já têm noção. O que pra nós segue uma linha de raciocínio bastante lógica, pra eles é um monte de coisa que a gente falou e dali a 30 segundos não vão mais se lembrar. Então, a solução que eu encontrei pra isso foi:

1 - Ser bem específica na parte mais formal da atividade (título do trabalho, preenchimento de capa e montagem etc, nesse caso que estou citando aqui), descrevendo os detalhes se possível por escrito;

2 - Explicar cada fase da atividade e esperar que concluam aquela parte (ou no máximo duas etapas curtas), para então partir para a próxima etapa;

3 - Esperar pelas dúvidas, que surgirão mesmo se eu tiver acabado de explicar o que deve ser feito. Nesse momento, podem surgir ideias diferentes pra fazer a mesma coisa, e é um ótimo momento pra dar autonomia aos alunos, para que façam do jeito deles, sempre que possível.

Se esse tipo de situação faz parte do seu trabalho, ou se você convive com crianças e adolescentes, me conta o que achou e compartilhe também as suas dicas nos comentários.

Um grande beijo e até!
Vanessa

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