quinta-feira, 21 de abril de 2016

Os professores e a rejeição dos alunos

Olá! Tudo bem?

Eu ouvi uma vez:

O difícil de ser professor é que você lida com a rejeição o tempo todo.

Essa frase me fez pensar muito e sempre me lembro dela, principalmente quando tenho algum embate com meus alunos. O que em determinadas turmas ocorre, infelizmente, com mais frequência do que eu gostaria.
Se nos lembrarmos da época da escola, certamente teremos a memória de que preferíamos fazer milhões de outras coisas mais legais do que estudar. Andar de bicicleta, assistir TV, sair com os amigos, brincar com o cachorro, enfim, havia uma série de outras coisas que nos davam mais prazer do que fazer o dever de casa, por exemplo. Mesmo assim, a maioria de nós cumpria o mínimo para tirar notas razoáveis e ir bem na escola. Me lembro de professores que me cativavam, mesmo se eu não gostasse tanto da matéria, e de outros que eu não gostava, não "ia com a cara" mesmo, como se diz.
Agora, na posição de professora, por vezes fico muito chateada com atitudes de alunos meus com 11, 12, 13 anos de idade, que fazem questão de demonstrar que não veem autoridade em mim, que não consideram o que eu digo importante e que não se sentem constrangidos com isso. Muitas coisas estão envolvidas aí, tendo em vista que todo professor é também uma pessoa que tem seus problemas pra resolver, suas inseguranças e frustrações, que somados ao cansaço do dia a dia podem abalar bastante o nosso emocional. Eu vejo essa situação toda por dois ângulos, que queria comentar com vocês:

1 - Uma nova geração que chega às escolas
Uma coisa que acontece muito na escola pública, e em menor intensidade também se dá em escolas particulares, tendo em vista a recente ascensão de classes populares a padrões de consumo mais elevados, é que muitas famílias em que os pais não estudaram muito além da alfabetização estão tendo a possibilidade de manter seus filhos na escola até a conclusão do Ensino Fundamental (antigo ginásio) e em menor quantidade até se formarem no Ensino Médio (antigo colegial) e Superior. A chamada universalização da educação básica - feita no Brasil mais no papel do que de fato - apesar de seus graves problemas está possibilitando a permanência de adolescentes na escola que, em outras épocas, ou ainda hoje em regiões mais pobres do país, teriam que parar de estudar para trabalhar e ajudar a família. Muitas dessas famílias reconhecem a importância do estudo mas não conhecem as rotinas necessárias à aprendizagem: estudar em casa, ler, aprender a manter o foco em uma atividade por vez, desenvolver senso crítico. Atendo muitos pais que reconhecem a importância de o filho estar na escola, mas que em casa não direcionam as atividades que o estudo requer. Nessa situação, é difícil mostrar a esses alunos o grau de responsabilidade que precisam desenvolver para estudar, ou mesmo por que devem estudar, se de um jeito ou de outro seus pais se viraram com pouco estudo. Em muitas situações ainda, os alunos dizem: "Professor, mas você estudou tanto e ganha pouco!" - o que é verdade.

2 - Tem também uma frase muito batida sobre a escola, que eu particularmente não gosto muito, mas que tem também sua parcela de verdade: "A escola é do século XIX, o professor é do século XX e o aluno é do século XXI". A escola de hoje é uniformizante, quase sempre funciona nos moldes de antigamente e o professor ainda tem que concorrer com as novas tecnologias, que colocam à nossa disposição uma infinidade de informações, mas percebo que meus alunos não conseguem absorver quase nada de tudo isso. É tudo muito imediato e passageiro, eles não internalizam conceitos para formular suas próprias ideias e questionamentos, o que é desastroso para o ensino.

No meu dia a dia sempre me deparo com essa "rejeição sem causa" dos alunos, e tenho pensado muito nessas duas questões que coloquei. Diante desses enormes desafios e dos demais que vêm a reboque com eles, acho que é importante considerar alguns eixos de ação para tentar conquistar o aluno:
a) Criar afeto pelo estudo, pela escola, por aprender. Mostrar que eles todos podem aprender. Em turmas muito terríveis, eu tenho colocado os alunos que dão mais trabalho pertinho de mim. Isso causa um certo constrangimento também, mas por outro lado eles se sentem importantes (alguns são beeem carentes) e começam a fazer direito as atividades.
b) Tentar não se deixar levar pela imaturidade dos alunos. Mostrar que eles prejudicam meu trabalho quando agem mal, quando não têm disciplina, e que perdem muito com isso porque não consigo fazer coisas diferentes pra eles aprenderem mais.
c) Aproximar a família. Quando tenho muita dificuldade com algum aluno e/ou sei que a família é presente e se importa, busco formar uma parceria com os responsáveis, pra que o aluno veja que ele não terá muita escapatória: os pais e a escola estão falando a mesma língua e juntos irão cobrar dele a sua parte.

Eu digo por experiência própria que esse lance da rejeição afeta bastante, hoje menos do que antes, mas eu me apego às pessoas, gosto de criar vínculo e de ter um ambiente colaborativo onde vejo meu trabalho render. Por outro lado, sou também sistemática e perco a paciência quando tenho que insistir muito em determinadas situações. O que tem ajudado é tentar ver meus alunos mais como crianças muitas vezes meio perdidas e até desamparadas, que precisam de foco e orientação, e menos como pessoas determinadas a me irritar...rsrsrs Pode parecer meio neurótico isso, mas a gente esquece mesmo que eles são apenas crianças e que ainda não têm noção de muita coisa, que inclusive o trabalho do professor  pode ajudar a desenvolver.

E você, convive ou trabalha com adolescentes? Passa por perrengues que nem eu?! Me conta o que faz pra contornar as situações difíceis!

Beijo grande!
Vanessa

2 comentários:

  1. Encontrei seu blog e canal através do vídeo sobre a técnica Pomodoro.
    Parabéns pelos artigos/vídeos e sucesso!
    Que seus alunos saibam te valorizar!

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    1. Poxa, muito obrigada! Curto mais escrever do que gravar vídeos e sei que o YouTube tem muito mais visualizações do que o blog, então receber um comentário aqui, ainda dentro de um assunto que não interessa pra muita gente, é realmente recompensador! Obrigada mesmo pelo comentário! Bjos!

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