Oie!
Na última semana eu ia fazer uma postagem sobre o 7 de setembro e a postura das pessoas diante da situação atual do Brasil, mas acabei deixando pra lá. Só que o tema de hoje tem tudo a ver com as discussões políticas que vêm acontecendo e com a forma como as pessoas têm reagido a ideias e pensamentos diferentes, principalmente nessa área. Então, te convido a pensar também um pouco sobre isso, lendo esse post.
Você já reparou como grande parte das pessoas tem a incrível necessidade de falar, sempre dar sua opinião sobre tudo, com uma grande dificuldade de aceitar pontos de vista diferentes dos seus? Temos em geral uma tendência a afastar quem tem pontos de vista diferentes dos nossos. Nós nos aglutinamos em ilhas de opiniões pareadas, tentando sempre manter um consenso, ao mesmo tempo em que passamos a aceitar conceitos e opiniões vindas de dentro desses "grupos de segurança". Por mais que nossos amigos sem progressistas, tenham a "mente aberta" e tudo o mais, esse nosso comportamento vai justamente contra aquela primeira ideia que muitos de nós temos, de não dogmatizar os conhecimentos e buscar liberdade de pensamento.
Esse contexto é justamente o que pra mim está acontecendo na situação atual da política brasileira. Toda essa polarização de opiniões contra uns, a favor de outros, é meio infantil, tipo um jogo de mocinho e bandido. Se eu estou do lado "A" e descubro que você está do lado "B", você automaticamente vai contra todos os meus princípios de um mundo melhor, que obviamente são os princípios mais justos e adequados. Mesmo que você concorde apenas com uma parcela do lado "B", pra mim você já não faz parte do grupo de segurança. E eu por outro lado, entre o meu grupo onde todos estamos com a razão, também tenho que ficar de olho e tomar cuidado para não deixar escapar nenhuma eventual dúvida quanto à minha posição, sob pena de perder minha identidade nesse grupo e ficar sem grupo nenhum. Ou pior, ser identificada como quem está no grupo oposto.
Gente, não é meio ridículo isso? Tenho visto gente muito inteligente, com pontos de vista genuinamente valorosos e bons, assumirem posturas verdadeiramente fascistas, no sentido de serem autoritárias e inflexíveis, contrariando sem perceber ideias que defendem com seus discursos. E acho que deveríamos pensar um pouco mais nisso, estamos radicalizando cada vez mais nossas opiniões e perdendo a capacidade de aceitar interpretações diferentes dos fatos ou mesmo de fazer o exercício mental de assumir pontos de vista diferentes, ainda que somente como forma de exercício mesmo.
Bom, o segundo ponto que eu quis trazer pra nossa reflexão é o de saber ouvir. E vou usar como exemplo situações vividas por mim. Eu sempre fui mais de ficar na minha do que de me expor. Isso não significa que eu saiba ouvir os outros, porque quando alguém pára e se interessa em ouvir o que eu tenho a dizer, e se mostra de acordo comigo então, nossa, daí falo hein... Isso só mostra que, apesar de eu não buscar falar sempre e impor minha opinião aos outros, tampouco sei ouvir. E acho que a maioria de nós tem um pouco disso, seja para o lado de falar ou para o lado de não saber ouvir.
Nossa necessidade de ter razão às vezes supera nossa própria razão, no sentido de usar lucidamente nossas faculdades mentais, sem a necessidade de apelar a posturas mais emocionais. E a história já nos deu exemplos de sobra de como posições fechadas em si mesmas podem resultar em políticas absurdamente radicais e maléficas a todos nós.
Beijos, boa semana!
Vanessa
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