Oi! Tudo bem?
Uma das coisas que eu mais observo, desde sempre, é o quanto as pessoas falam. Durante muito tempo eu fui muito "quietinha" e isso sempre me incomodou, porque eu sempre achei super legal estar cercada de amigos, rindo, conversando, dando opiniões, sendo ouvida. Hoje eu percebo que cresci preocupada em ter algo para dizer nas diversas situações: no ambiente de trabalho, entre amigos em momentos descontraídos, mas sempre me senti muito mais à vontade conversando em família ou em grupos pequenos, de até três ou quatro pessoas. Por muito tempo me preocupei em dizer o que os outros gostariam de ouvir e atender às suas expectativas. Nem preciso dizer o quanto isso se torna desastroso...
Não tem fórmula pra se fazer amigos. Eu acho que é um tipo de química, não como acontece quando há atração física, mas não tem padrão, palavras certas ou sempre concordar. Às vezes a gente descobre amigos em pessoas que se comportam de forma totalmente diferente da nossa e até dizem coisas que a gente normalmente desaprovaria. Isso é até óbvio, mas pra mim foi uma grande (re)descoberta perceber que agir com naturalidade poderia trazer amigos muito mais verdadeiros por um lado, além do respeito daqueles que discordem de mim, por reconhecerem a autenticidade do meu comportamento.
Hoje eu estou parando de brigar com esse meu lado mais introvertido. Às vezes alguns amigos até estranham e muita gente com quem eu convivo tenho certeza de que faz uma imagem de mim que não corresponde muito bem à pessoa que eu sou. O minimalismo, que tanto tem trazido crescimento à minha vida, entra nisso também.
Eu falei tudo isso pra chegar no assunto do post, justamente porque pra mim é como se a vida tivesse várias camadas, em que uma coisa se sobrepõe à outra e os contextos em que nós vivemos assumem uma importância enorme na compreensão do que acontece e na maneira como nós enxergamos as situações. Quando eu entrava em um emprego novo, por exemplo, eu vivia angustiada até ter certeza de que as pessoas tinham me aceitado e gostavam de mim. Eu queria ser legal, mostrar que tinha aprendido as tarefas referentes ao meu trabalho, queria ser sempre solícita. E muitas vezes eu criava uma imagem que exigia de mim um esforço enorme na hora de dizer NÃO pra alguém. Geralmente eu me segurava e só fazia isso quando algo passava do limite. Se você já passou por isso, sabe que normalmente a situação em que esse NÃO é finalmente dito pode ser bem desagradável. E daí vem a culpa e a sensação de inadequação contra a qual eu lutava tanto.
Quando me tornei professora eu comecei a lidar melhor com isso. Em parte porque é um trabalho que requer saber lidar com a rejeição (escrevi sobre a rejeição dos alunos aqui) e também porque eu já estava cansada de me preocupar com agradar os outros ou ser querida. Comecei a me voltar mais pra mim: conversava quando estava a fim e ficava quieta na minha se assim eu quisesse.
Eu vejo hoje que falar menos ou não ter sempre um assunto pra conversar ou uma opinião formada não tem nada de mais, nada de errado. Pelo contrário, me sinto mais eu mesma, não me sinto mais fazendo uma "propaganda enganosa" de mim. E voltando ao minimalismo, estar nesse processo de buscar o essencial fez toda a diferença pra eu entender melhor como me sinto em relação às palavras. Pensando no que eu entendo ser uma vida minimalista e com mais propósito, faz muito mais sentido pensar nas palavras dentro desse contexto. É claro que eu não fiz nem pretendo fazer um voto de silêncio, pelo menos não vejo necessidade disso hoje. Em certos momentos (dando aula é um deles), eu falo muito, não me tornei uma pessoa apagada. Mas tenho preferido agir de forma a valorizar mais o que eu digo, dizendo o que é realmente adequado ao momento, ao local e principalmente ao meu estado de espírito. E o minimalismo me trouxe um jeito totalmente novo e um contexto excelente pra entender isso na minha vida.
Ironicamente (ou não...rs) esse post ficou maior que o de costume. Talvez porque pra mim a redução das palavras não signifique menos conteúdo. Pelo contrário, é ficar com o essencial, o que é realmente importante, de fato conforme o que o minimalismo é pra mim.
Beijo gente, com muitas palavras e silêncios repletos de sentido!
Vanessa
Eu vejo hoje que falar menos ou não ter sempre um assunto pra conversar ou uma opinião formada não tem nada de mais, nada de errado. Pelo contrário, me sinto mais eu mesma, não me sinto mais fazendo uma "propaganda enganosa" de mim. E voltando ao minimalismo, estar nesse processo de buscar o essencial fez toda a diferença pra eu entender melhor como me sinto em relação às palavras. Pensando no que eu entendo ser uma vida minimalista e com mais propósito, faz muito mais sentido pensar nas palavras dentro desse contexto. É claro que eu não fiz nem pretendo fazer um voto de silêncio, pelo menos não vejo necessidade disso hoje. Em certos momentos (dando aula é um deles), eu falo muito, não me tornei uma pessoa apagada. Mas tenho preferido agir de forma a valorizar mais o que eu digo, dizendo o que é realmente adequado ao momento, ao local e principalmente ao meu estado de espírito. E o minimalismo me trouxe um jeito totalmente novo e um contexto excelente pra entender isso na minha vida.
Ironicamente (ou não...rs) esse post ficou maior que o de costume. Talvez porque pra mim a redução das palavras não signifique menos conteúdo. Pelo contrário, é ficar com o essencial, o que é realmente importante, de fato conforme o que o minimalismo é pra mim.
Beijo gente, com muitas palavras e silêncios repletos de sentido!
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