sexta-feira, 1 de abril de 2016

Resenha: Crianças francesas não fazem manha (Pamela Druckerman)

Olá!

Hoje eu trouxe pra vocês uma indicação de leitura muito leve e interessante:
Capa


A autora
Nesse livro, a autora - uma jornalista dos Estados Unidos que se muda para a França - conta sua própria experiência como mãe de duas crianças e mostra um pouco como as crianças de classe média são educadas na França. Ela e o marido vão morar em Paris e Pamela relata a maternidade e os primeiros anos de vida dos filhos convivendo com pessoas que parecem agir naturalmente quando têm filhos, que não tentam ser pais perfeitos e que não abrem mão de sua individualidade com a chegada das crianças.
Ela faz um apanhado dos costumes dos norte-americanos (que influenciam muitos brasileiros também) com relação à criação dos filhos, e comenta coisas como: o fato de os pais sempre abrirem mão de seus momentos de adulto em prol dos filhos, o atendimento imediato quando a criança pede ou exige qualquer coisa, as mães descabeladas e desesperadas pra dar conta de tudo, e uma coisa que eu achei muito interessante: a competitividade implantada nas crianças em tão tenra idade, como fazer um milhão de cursos além da escola, aprender uma língua estrangeira, enfim, tudo o que por aqui consideramos como "preparar os filhos para vencer na vida". E ela relata que na França os pais buscam o melhor para seus filhos, mas são mais relaxados em relação a essa formação extra escolar, deixando as crianças serem crianças de verdade.
É legal também que ela cita muitas pesquisas que foram feitas e que ajudam a embasar as coisas que ela coloca no livro. Tem muitas informações científicas e as fontes de consulta. Ao mesmo tempo em que é um livro leve, é muito bem estruturado e você pode procurar as pesquisas, pois ela cita sites pra consulta, achei isso muito legal.
Outra coisa que gostei do livro é que ela dá uma ideia de como é o sistema de educação pública na França (ou pelo menos em Paris, onde ela foi morar). As escolas públicas são ótimas e são as preferidas pelos pais de classe média franceses. Tanto na escola como em família, as crianças são criadas com cuidado e carinho, mas sem aquele excesso de proteção que é comum nos países americanos (tanto na América do Norte como por aqui também). Elas têm mais autonomia e também mais responsabilidade, e os pais adotam uma postura que dá às crianças certa liberdade para cometerem pequenas transgressões - que os franceses chamam de "bêtise" - e às quais os pais reagem com moderação. As crianças francesas desde cedo aprendem a ter um tempo sozinhas, conhecem as consequências de seus atos e recebem autonomia dos pais para aprenderem tudo isso até certo ponto por elas mesmas. O resultado, segundo a autora: crianças que sabem sentar-se à mesa sem choramingar, que comem o mesmo que os adultos nas refeições e que sabem esperar ao invés de serem atendidos sempre imediatamente em suas necessidades e vontades. No livro ela dá vários detalhes sobre a criação dos franceses, baseada na palavra "cadre", que significa moldura e em resumo é o seguinte: a criança deve ser criada dentro de alguns limites inegociáveis (o cadre), porém dentro desses limites ela tem relativamente bastante liberdade.
Pra não me estender muito, vou terminar contando que a autora ainda comenta sobre como são as refeições francesas e os hábitos alimentares desse povo que come tão bem e não engorda!!! \o/
Eu gostei bastante, mesmo não tendo filhos, porque o livro é bem escrito e muito informativo. A única coisa que eu não gostei tanto é que em certos trechos ela repete muito a mesma ideia, e poderia ser mais objetiva nos assuntos, às vezes acaba sendo meio repetitiva.
Mas recomendo muito esse livro, achei realmente muito bom!
E você, o que tem lido? Cometa aí comigo o que tem pra indicar!

Beijo grande!
Vanessa

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