sábado, 16 de abril de 2016

Resenha: livro "A lição de anatomia do temível Dr. Louison" - Enéias Tavares

Oie! Tudo bem?

Pessoal, esse post deveria ter sido publicado na última quinta-feira, mas infelizmente acabei atrasando por causa da correria da vida... Estou me esforçando pra que isso não se repita, mas melhor atrasar um pouquinho e fazer direito do que trazer pra vocês algo feito de qualquer jeito né? Estou me organizando pra evitar esses atrasos! ;)

Já falei um pouco desse livro aqui, e foi uma leitura muito gostosa e diferente. Gostosa porque é cheia de mistérios e escrita de um jeito que envolve o leitor, sabe? E diferente porque, como já comentei no vídeo linkado acima, esse livro é steampunk - mistura características futuristas com paisagens e ambientes da Revolução Industrial. Além disso, o autor faz releituras de personagens clássicos da literatura brasileira, como Rita Baiana e Pombinha - de Aluísio Azevedo, Simão Bacamarte - de Machado de Assis, Solfieri - de Álvares de Azevedo, e outros. A história se passa na cidade de Porto Alegre no início do século XX, quando um jornalista carioca lá desembarca de um dirigível para escrever um artigo sobre um assassino em série que expunha os órgãos de suas vítimas e que havia misteriosamente desaparecido após ter sido preso pela polícia. Toda a narrativa tem detalhes das paisagens, sons e cheiros dos locais, e eu adoro isso num livro de ficção, porque torna toda a história mais real e palpável pra quem está lendo.
Como não poderia deixar de ser, o personagem Isaías Caminha - jornalista que narra a história, transparece todo o racismo daquela época, comentando com indignação como pessoas negras estava misturadas aos brancos ou vestidas como eles, comprometendo assim a pureza da raça. O jornalista entrevista o assassino - Dr. Louison - por várias vezes e as ideias que ele coloca nessas entrevistas são muito pertinentes à realidade, apesar de ser uma obra de ficção. Ele comenta sobre a falsidade e fragilidade do moralismo imposto pela sociedade e como pessoas que estão à frente da política ou representam certos setores da sociedade - devendo por isso mesmo ser exemplos de cidadania, ética e moral - são retratadas na história como tudo o que há de sujo e vergonhoso. Fala ainda sobre a leviandade das pessoas que assumem certas posturas "eruditas", frequentam locais importantes e querem parecer cultas, quando na verdade não têm gosto pela arte ou pelo conhecimento, mas pelo status que isso tudo transmite aos outros. E tudo isso é narrado numa linguagem rebuscada, não de difícil entendimento, mas com aqueles detalhes e maneirismos dos escritores mais antigos, que dão um ar meio mágico e nostálgico à história.
Não quero escrever demais, mas após entrar em contato com o assassino da história, Isaías Caminha se envolve com integrantes de uma sociedade secreta que defende Dr. Louison, o que vai ajudando a entender a história e o que está por trás dos assassinatos praticados por ele.



Uma coisa muito legal sobre o autor é que, apesar de ser um jovem professor universitário (tem 32 anos), ele escreve à noite e à luz de castiçais! Louco isso né?
E escreveu também o livro "As idades do homem" (Coletânea 40, editora Libreto), que ainda não li.

Vale a pena a leitura, se você já leu me diga aí nos comentários o que achou!
Beijo grande!
Vanessa

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