quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Projeto Minimalismo #10: Minimalismo e meio ambiente (Sustentabilidade é possível mesmo?)

    Oie! Continuando a falar sobre os diversos assuntos ligados ao minimalismo, o tema de hoje é bem controverso e refere-se ao meio ambiente e à sustentabilidade. O termo sustentabilidade quer dizer, em linhas gerais, consumir os recursos naturais de tal forma a manter o suficiente para as gerações futuras também poderem consumir, e assim por diante.

    O minimalismo traz então, além de todos os benefícios individuais, a vantagem de tornar o consumo dos recursos naturais mais equilibrado, na medida em que consumir menos faz menor pressão sobre a extração de recursos e as demais fases do processo produtivo, que é muitas vezes bem poluente, tóxico e socialmente injusto. 

    Legal, bacana. Nem tanto. Eu tenho (re)pensado muito o meu consumo e realmente acredito que essa corrente mundial anticonsumista tenha resultados significativos para os ambientes naturais e a qualidade de vida das pessoas envolvidas na produção de bens de consumo. Mas acho que é pouco. Eu tenho uma visão um pouco pessimista em relação à sustentabilidade, pelos seguintes motivos:

_ O mundo caminha maciçamente em busca do consumo. Produzir em grande quantidade e a preços baixos gera muitos empregos (por piores que sejam);
_ 99,99% das sociedades humanas funcionam através da lógica capitalista, em que obter cada vez mais lucro reduzindo o máximo dos custos é a ordem vigente. Não estou aqui como uma anticapitalista, mas esse é um modo de produção que traz a desigualdade social na sua essência;
_ A população mundial tem crescido muito mais nos países pobres do que nos ricos (Fonte) e isso garante um mercado crescente para produtos descartáveis e baratos (além de a pobreza ser uma fonte inesgotável de mão de obra barata para as fábricas);
_ Consumo consciente é algo que faz sentido para quem já consumiu muito. Basta ler livros, assistir a vídeos ou documentários sobre o assunto e vamos encontrar pessoas que repensaram seu estilo de vida após entulharem tanto suas casas e sua vida, que fizeram uma reviravolta imensa, mas consumiram muita porcaria antes disso, ainda que o efeito de terem se tornado mais conscientes seja extremamente benéfico. Isso se estende então aos países pobres. Suas populações irão querer finalmente consumir, após viverem séculos na escassez. O Brasil é um exemplo e a atual construção de inúmeras usinas hidrelétricas (inclusive em áreas florestais) resulta da crescente demanda por consumo da nova classe "C" (ainda que estejamos em crise, até pouco tempo atrás a indústria da construção civil - diga-se de passagem que a fabricação de cimento é uma atividade extremamente poluente [Fonte] - empregava muitas pessoas e a demanda por produtos garantiu por anos uma situação de quase pleno emprego no Brasil);
_ A sustentabilidade irá se tornar um pensamento global quando trouxer lucro. Vou polemizar um pouco mais, mas a busca por combustíveis e fontes de energia alternativas não acontece apenas porque os governantes são legais e querem deixar um planeta limpo para seus netos. Em aproximadamente 40 anos o petróleo do mundo irá acabar, e teremos que nos virar de outro jeito. Prova disso é a China, o maior produtor mundial de tecnologia limpa, mas também o maior poluente [Fonte] (vai queimar carvão mineral enquanto tiver, porque é barato). Empresas como a Natura, por exemplo, apostam nesse mercado e têm mérito por trabalhar com desenvolvimento sustentável em várias regiões do Brasil. Porém, estão dentro de uma lógica de lucro, caso contrário não conseguiriam se manter no mercado e financiar suas pesquisas.

    Quero deixar claro que não sou contra o consumo consciente. Pelo contrário, tenho visto que a mentalidade de comprar, comprar, comprar e depois reciclar (que não resolve o problema) está dando lugar a uma mentalidade muito mais racional, que é a de consumir menos. Isso é um avanço incrível. Mas pelos motivos expostos acima, eu sinceramente acredito que será um longo caminho e que as soluções terão que vir de outras direções também, como um desenvolvimento tecnológico absurdo - que talvez não consiga remediar os problemas causados ao ambiente no mesmo ritmo em que a população mundial e o consumo crescem. Isso irá levar a uma manutenção da desigualdade, porque essas tecnologias demoram um certo tempo pra se popularizarem e se tornarem baratas. E enquanto tiver gente sem esgotamento sanitário em casa (no mundo, estima-se que 80% da água utilizada não é coletada nem tratada - Fonte), e a preocupação imediata for a sobrevivência básica, as pessoas não terão condições de se voltarem ao consumo consciente.

    Eu carrego a bandeira do minimalismo e por isso estou fazendo essa série de posts aqui no blog, que irão virar uma série de vídeos no canal também, mas acho que a gente não deve ser inocente quanto a isso, principalmente em um país com tantas dificuldades (e possibilidades) como o nosso. Vamos continuar nessa jornada, por um mundo cada vez mais justo (eu, como professora, não poderia lutar por algo diferente), mas conscientes da nossa real situação. Fazendo nossa parte, mas analisando a fundo o que de fato acontece fora dessa caixinha que é o nosso mundo pessoal.

    Beijo grande!
    Vanessa

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